O ritmo da W/Brasil nas campanhas 'hits' da Rider

Washington Olivetto não é o Pelé da publicidade à toa. Com a W/Brasil o publicitário fez história ao plugar a propaganda no imaginário popular. E muito disso se deve ao fator musical. Pode-se afirmar que a agência foi pioneira no conceito de recriar canções para filmes publicitários e, assim, relançar clássicos como jingles atrelados a uma marca.

O principal exemplo do casamento entre música e propaganda é a série de campanhas criada para a Rider na década de 90. Iniciados em 1989, os comerciais com duração média de 3 minutos traziam um grande artista de sucesso do momento com uma nova versão de um clássico popular.

O primeiro homenageado dos comerciais encomendados pela Grendene foi justamente Jorge Ben Jor. O cantor havia acabado de lançar a canção "W/Brasil", em homenagem à agência homônima.

Do carioca, foi escolhido o clássico "País Tropical", que recebeu uma nova versão dos Paralamas do Sucesso.

 

Depois foi a vez de "Nem Luxo, Nem Lixo", de Rita Lee, ser a protagonista da campanha da Rider. Cheia de sensualidade, a música foi reinterpretada por Marina Lima.

Bastou algum tempo de veiculação nas televisões brasileiras para as novas versões estourarem nas rádios, voltando a boca de toda a população.  

O mesmo aconteceu com o zen-surfismo de Lulu Santos e Nelson Motta "Como Uma Onda". A canção ganhou uma versão vigorosa de Tim Maia, se tornando um dos maiores hits de 1993.  

 

Depois foi a vez da já homenageada Rita Lee interpretar um grande clássico. A paulistana foi responsável pela belíssima interpretação do samba "Felicidade", de Lupiscínio Rodrigues.

As releituras criadas para a Rider passaram de dez versões e marcaram a década de 90. Além das já citadas, ainda vale ressaltar a inversão entre autor e intérprete protagonizada por Tim Maia e Lulu Santos, com o último apresentando uma releitura de "Descobridor dos Sete Mares", sucesso do Rei do Soul.

 

Há também uma nova versão para a música "É Hoje", de Caetano Veloso, reinterpretado por Fernanda Abreu, e o clássico da Jovem Guarda "Pode vir Quente que eu Estou Fervendo", de Erasmo Carlos, cantado por Frejat. E até uma reinterpretação feita pelo próprio intérprete. É o caso de Os Novos Baianos, que criaram uma nova versão para "Brasil Pandeiro".

Da televisão para as rádios de todo o Brasil, as músicas das campanhas viraram verdadeiros hits. O sucesso foi tão grande que, em 1997, a Grendene lançou o CD Rider Hits, com um compilado de sucessos extraídos diretamente dos comerciais dos chinelos da marca. Além das canções já citadas, o álbum ainda trazia interpretações de Kid Abelha e Sandra de Sá.

Em um trecho do livro "Vale Tudo", biografia de Tim Maia criada por Nelson Motta, o jornalista e produtor musical que também produziu um dos comerciais, lembra-se da importância dessas campanhas para o cenário musical – e econômico – do período.

"Na virada dos anos 90 a coisa estava feia no Brasil, as multidões de sem-sapato estavam mais pobres ainda e migravam das popularíssimas sandálias Havaianas para os mais baratos, confortáveis e horrendos chinelos de plástico Rider. As campanhas de Washington contribuíram muito para a popularização dos chinelos, que se tornaram uma das marcas do país devastado nos anos Sarney e Collor."

Sem dúvidas, a série de campanhas da Rider está fixada na memória de quem se deixou embalar pelo ritmo orquestrado pela W/Brasil.

Por Luana Scalla

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