Como a realidade virtual muda o comportamento de compra

ads

Nos anos 90 lembro de alguns filmes que abordavam Realidade Virtual e imaginava que era coisa de cinema, uma invenção. Não tem como esquecer de “Matrix”, “13º Andar”, “O Cyborg do Futuro”, entre outros. Pensando em um futuro assim, muitos roteiristas fizeram suas apostas em como estaríamos vivendo e, de certa forma, acertaram em muitas coisas – relatório da empresa americana Digi-Capital revela que até 2021 a realidade virtual deve movimentar globalmente cerca de US$ 108 bilhões.

Nos Estados Unidos várias empresas do setor automotivo e as agências de viagens estão efetivamente usando realidade virtual como ferramenta de marketing. Alguns apostam em test-drive virtual para atrair os consumidores, outros em passeio virtual com vídeo em 360 ​​graus em que o cliente faz uma viagem antes de comprar seu pacote e as passagens aéreas. 

Possibilidades com a Realidade Virtual 

A IKEA, rede sueca especializada na venda de móveis domésticos, inovou ao lançar o aplicativo “IKEA VR Experience”, que ultrapassa os limites da imaginação humana. Através de uma espécie de game de realidade virtual, é possível imergir por três diferentes ambientes de cozinhas virtuais. Pelo app é possível decorar o ambiente, escolher acessórios e interagir com ferramentas 3D, como se estivesse dentro de um catálogo de produtos da marca. 

O varejo online é um setor com um dos melhores potenciais para implantação de VR (virtual reality, ou realidade virtual em inglês). Não foi à toa que a empresa chinesa Alibaba introduziu sua plataforma “Buy + mobile VR” para melhor visualização dos produtos. Além disso, integraram sua plataforma de pagamento, a Alipay, para ajudar os consumidores a fazerem os pagamentos enquanto navegam pelos produtos. 

Outro setor que está se destacando é o da educação, permitindo a disponibilização virtual de ambientes de ensino mais imersivos. Um excelente exemplo é o Google, pois passou a disponibilizar o “Google Expeditions” para que estudantes e professores possam fazer “viagens virtuais imersivas”. A aplicação foi disponibilizada aos utilizadores no segundo semestre do ano passado. 

A área da saúde não fica atrás, com ambientes virtuais realistas e modelos virtuais da anatomia humana, os profissionais podem obter informação sobre o que vão enfrentar antes de realmente trabalhar num corpo humano. É útil, não apenas para os estudantes, mas também para os profissionais experientes que pretendem realizar procedimentos novos ou de alto risco.

As cirurgias podem ser visualizadas em 360 graus, em tempo real, em qualquer parte do mundo através de aplicações de realidade virtual como a Medical Realities. As cirurgias podem ser observadas em VR, mas a cirurgia robótica é também uma possibilidade com a tecnologia. O tempo e as receitas poupadas com estes procedimentos podem ser significativos. 

Estudando o cenário brasileiro

Segundo um estudo da Worldpay que abordou 2004 brasileiros, 73% dos entrevistados têm interesse em fazer compras usando a realidade virtual – um índice significativamente maior que outros países pesquisados como Alemanha (59%) e até mesmo o Japão (57%).

Ainda segundo a pesquisa, 85% dos entrevistados consideram adquirir um produto com a tecnologia de realidade virtual e 84% gostariam de ver lojas físicas usando o recurso. Porém, 56% dizem que a capacidade de visualizar e experimentar um produto ou experiência em VR não afetaria a possibilidade de fazer uma compra por impulso. Além disso, a segurança do meio de pagamento virtual é uma preocupação para quase metade (43%) dos brasileiros pesquisados.

O futuro das marcas e das lojas de varejo passa por redefinir as experiências de compra, tornando-as mais acessíveis, prazerosas e satisfatórias para os consumidores. A eficácia das campanhas ainda é discutível, mas os varejistas não podem se dar ao luxo de fechar os olhos para a tecnologia e a demanda do consumidor. Ignorar a realidade virtual poderá custar caro para quem continuar achando que ainda é só coisa de filme de ficção científica. 

*Leandro Pires é CEO da agência NovaHaus

 

Deixe seu comentário: