Fake News, como fugir deste campo minado?

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Você costuma checar as notícias que lê? Se sua resposta for não, acredite, você faz parte de 61% dos internautas que não têm o hábito em verificar a confiabilidade daqueles fatos, segundo a agência Advice Comunicação Corporativa, em parceria com a BonusQuset.

Apesar disso, a epidemia de notícias falsas só aumenta e, cada vez mais somos bombardeados por fatos sem fundamentos ou checagem devida. Um dos fatores que explica a difusão de boatos disfarçados em tons de veracidade, se encontra nas redes sociais e na facilidade de compartilhamento de conteúdo destas mídias.

De acordo com pesquisa publicada pelo American Institute, informações falsas conseguem circular aproximadamente três vezes mais do que as verdadeiras, que buscam corrigi-las e, diante dos poucos recursos disponíveis para que os internautas consigam filtrar o volume de conteúdo que recebem diariamente, o que ocorre é um ambiente onde é difícil saber o que é verdade ou não.

Com isso, inevitavelmente, o número de compartilhamento dessas informações mentirosas cresce. Para se ter uma ideia, ao menos 42% dos internautas ouvidos pela agencia Advice Comunicação Corporativa confessam já ter compartilhado alguma notícia falsa em suas redes.

Casos mais recentes

Um dos casos de Fake News mais comentados atualmente envolveu as últimas eleições dos Estados Unidos, em 2016, em que Donald Trump e Hilary Clinton disputavam a presidência do país. De acordo com análise feita pelo BuzzFeed News, notícias de fontes duvidosas sobre o período, divulgadas por sites que se diziam informativos ou blogs, conseguiram maior visibilidade que sites de veículos respeitados como New York Times, Washington Post ou NBC News.

Este fenômeno, parece indicar também uma crise da representatividade dos grandes veículos, que parecem perder a legitimidade ou não conseguem estabelecer pontes de comunicação diretas com este novo público dos ambientes digitais.

No Brasil, é interessante notar, os principais alvos de Fake News também são os políticos e pessoas envolvidas em processos anticorrupção – independentemente da corrente ideológica, é importante frisar. Segundo levantamento da Revista Veja, por exemplo, nomes como o do ex-Presidente Lula, seguidos de Michel Temer e do Juiz Sergio Moro, são os mais citados em publicações falsas do Facebook.

Dois casos recentes envolvendo a Senadora Gleisi Hoffmann são emblemáticos neste sentido. No primeiro deles, a Senadora do Partido dos Trabalhadores compartilhou em seu Twitter uma fotomontagem do Juiz Sergio Moro em evento supostamente patrocinado por grandes empresas, redes de comunicação e o PSDB.

Na verdade, a foto original, do fotógrafo Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil, demonstra que o quadro dos patrocinadores não é verídico e o fundo da foto é neutro:

Em outro caso recente, a mesma dirigente compartilhou uma foto com suposto apoio ao Ex-Presidente Lula em partida do campeonato alemão. Na verdade, a foto homenageava um torcedor italiano (Forza Luca) que havia entrado em coma após uma briga de torcidas. Em ambos os casos, a senadora apagou os tuítes após a comprovação dos equívocos.

Fora do terreno da política, outros alvos constantes de Fake News são atores, músicos e personalidades do meio artístico. Sylvester Stallone foi vítima recente de um dos boatos que circulam na internet, quando a falsa notícia de que o ator havia morrido de câncer se tornou viral. No Brasil, a notícia foi motivo de comoção, mas também de suspeita, por diferentes usuários do Twitter.

O boato, é bom frisar, não tem qualquer veracidade e Stallone continua sua preparação para o segundo filme da franquia Creed – o primeiro filme da série lhe rendeu um Globo de Ouro e a indicação de melhor ator coadjuvante no Oscar de 2015.

Como barrar as Fake News?

Tamanha tem sido a escalada das notícias falsas no Brasil, que o poder público se mobiliza para dar andamento a projetos de lei, como o (473/2017), que prevê punição para autores de informações falsas sobre assuntos relacionados à saúde e segurança pública, economia nacional ou processos eleitorais, que afetam o interesse público.

Neste cenário, temos uma questão complexa: se, certamente, precisamos encontrar meios de barrar notícias e informações falsas, é necessário também, garantir a liberdade de expressão e que instrumentos da lei não se tornem ferramentas de censura.

Além de leis para combater as notícias falsas, alguns projetos privados também estão sendo testados. É o caso do próprio Facebook, que lançou, nos Estados Unidos, no final de 2016, um sistema de checagem de informações chamado Fact Checking. Essa plataforma monitora as publicações de um determinado número de internautas, apontando possíveis Fake News.

Outro projeto interessante é a organização First Draft Coalitions, criada pelo Google em 2015, com mais de 30 empresas parceiras (entre elas o Facebook e o Twitter). Ela tem como objetivo combater a divulgação de histórias ou notícias falsas, promovendo instrução sobre publicações dentro das redes sociais, para que os membros possam verificar conteúdos questionáveis. A iniciativa ainda tira anúncios de sites que colocam materiais falsos para banir esses portais.

Mais uma ação para reprimir notícias falsas veio do jornal francês Le Monde. Les Décodeurs é uma divisão do veículo, com um determinado número de pessoas que verificam os fatos que chegam dentro do veículo por meio da utilização de banco de dados para erradicar informações falsas.

*Com mais de 15 anos de experiência na área de Marketing, João Paulo atua como diretor de negócios da Elemental.5 e já trabalhou com projetos de ativação, relacionamento, live marketing e gestão de negócios.

Conclusão

No mundo digital, nós deixamos de ser apenas audiência e passamos a ter o mesmo poder de difusão de um veículo de comunicação (na maioria das vezes, com muito mais credibilidade e penetração do que os veículos renomados). Assim, somos responsáveis por ajudar a acabar com esse tipo de prática.

Com essas dicas, ressalto a importância em se precaver ao consumir informações. Afinal, como já vimos, elas são capazes de manipular diversas situações e até mesmo interferir na vida de pessoas. Não seja vítima e colabore para a construção de um ambiente de comunicação transparente e verdadeiro.

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