O content marketing que marca

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Estava sentada em uma daquelas cadeiras universitárias, com uma meia-mesa acoplada onde cabe não muito mais do que um caderno e uma caneta. Com o queixo apoiado no braço direito, prestava atenção, junto de outras quatro ou cinco meninas, no que dizia aquele homem bem bonito, que poderia ter de 23 a 38 anos (naquela época, todo cara que tinha um pouco mais do que alguns pelos de barba e não se parecesse com o meu pai tinha idade indefinida). Assistia a uma palestra sobre marketing pessoal, que ensinava, entre outras coisas, a montar currículo. Não deveria ter muito mais do que 17 anos e estava naquela época doida de escolher a profissão que exerceria pelo resto da vida – mas era preciso uma renda, antes disso, para ajudar a pagar a faculdade.

Nem lembro como ficamos sabendo desse evento, acho que recebi um panfleto na porta da escola com o tema e o convite. A palestra seria dada depois do horário de aula, no centro da cidade, por uma rede de escolas de informática. Era perto, se encaixava nos meus horários, era de graça e trazia informações sobre um lance importantíssimo para mim naquela época. Como dizer não?

Não fazia ideia disso até hoje, quando decidi me sentar na cadeira para escrever um artigo aqui, mas os caras, lá no começo dos anos 2000, estavam, talvez sem saber, fazendo content marketing – algo que, anos depois, eu e minhas sócias venderíamos ao mercado como um serviço de posicionamento para marcas e líderes.

Pense: o que jovens de 17 anos que querem aprender sobre marketing pessoal buscam? Um emprego. E quem procura por uma vaga no mercado, com essa idade, tem quais habilidades a oferecer? Pouca coisa, além da “vontade de aprender”. O caminho, que eu e tantas colegas seguimos, foi o de trabalhar em um escritório como assistente – função que exige como conhecimento mínimo a computação.

Sabendo dessa dinâmica, a escola levou para dentro de sua sede potenciais clientes que, de quebra, se sentiram extremamente bem acolhidos pela marca, que ofereceu um conteúdo imprescindível sem pedir nada em troca.

Demais, não?

Content marketing parte de uma abordagem delicada, sem o discurso “você precisa do produto, compre. COMPRE!”. A ideia é conquistar o seu potencial cliente por meio de informações relevantes e de qualidade que gerem uma relação de confiança e deem elementos suficientes para que ele mesmo perceba qual sua necessidade e quem é o melhor fornecedor – tudo isso de forma natural e autônoma, sem pentelhar ou falar bem de seu próprio produto (porque ninguém é besta).

Hoje, o termo está bem na moda, e é oferecido por diversas agências digitais que querem ajudar seus clientes a fortalecer sua presença na internet, porque buscadores como o Google, simplesmente, amam conteúdo. Um site que tem blog ativo aparece 400% mais nas ferramentas de busca do que um semelhante que não compartilhe informação. A geração de leads por meio do endereço eletrônico praticamente dobra com a mesma abordagem, segundo dados do Content Marketing Institute. Não dá para negar que, somada a uma iniciativa de Search Engine Optimization (SEO), a estratégia é campeã.

Mas como sigo as boas práticas do bom senso e do marketing de conteúdo, não estou falando do serviço fim da essense. O mercado vê apenas um pedaço do enorme potencial que tem o conteúdo no centro da estratégia de marketing. Falo (ou escrevo) de pesquisas, eventos, whitepapers, webinars e, até, contato direto dos principais líderes das empresas com o público-alvo. Ajudar a melhorar SEO é só uma parte da coisa toda.

Antes de criar uma estratégia, é preciso responder a algumas perguntas: quem é o seu público-alvo? Quais suas principais dores e dificuldades? O que é crucial que ele saiba para perder o mínimo de tempo e dinheiro – ou, como ele pode melhorar seu rendimento? Em quais meios atingi-lo? Sua empresa já é conhecida e já tem um relacionamento direto com o prospect? E por aí vai… Existem muitos detalhes no meio do caminho e diversas formas diferentes de abordagem.

Voltando aos meus 17 anos, uma amiga fez o curso de informática – eu não, porque já sabia usar o computador. Mas ao longo desses anos, posso afirmar categoricamente que o conteúdo passado pelo moço bonito de 23 a 38 anos teve um impacto de dimensão que a escola de informática talvez não esperasse: ajudou a moldar a profissional que começava a se formar e está lá, sólido, nas minhas estruturas de aprendizado. Até hoje, não me esqueci do nome da empresa.

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