O Empreendedor de Sucesso corre riscos calculados

“Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau?”

Quem não se lembra dessa simpática cantiga cantada pelos porquinhos da folclórica história de Os Três Porquinhos, uma fábula cujos personagens são exclusivamente animais. As primeiras edições do conto datam do século XVIII, porém, imagina-se que a história seja muito mais antiga. A história foi divulgada por Joseph Jacobs, escritor nascido em Sydney (Austrália) em 1854.

Para ilustrar este artigo, quis usar a fábula. Vamos então ao resumo do conto:

Os personagens são três porquinhos - Prático, Heitor e Cícero - e um lobo mau, cujo objetivo era devorar os animais. Ao decidirem sair da casa, os irmãos foram construir cada um a sua própria casa.

Cícero, o mais preguiçoso, não queria se cansar e construiu uma cabana de palha. Heitor decidiu construir uma de madeira, enquanto Prático optou por arquitetar uma  casa melhor estruturada, com cimento e tijolos. Como a sua moradia demorou mais tempo para ser construída, Prático muitas vezes via os outros porquinhos se divertindo enquanto se esforçava para terminar o trabalho.

Um dia, o lobo surgiu e bateu na porta da casa de Cícero, que se escondeu. Mas o lobo, com um sopro forte, desfez a casa. Enquanto o porquinho fugia, o lobo foi bater na porta de Heitor e, com dois sopros fortes, destruiu também a cabana de madeira.

Heitor fugiu para a casa de Prático, onde já se encontrava Cícero. O lobo então foi à casa de Prático e tentou derrubá-la, sem sucesso.

Sem dúvida, essa é a história de três porquinhos empreendedores, cada um com sua característica, que evidencia o perfil de exposição ao risco que cada um adotou.

Correr risco é uma das principais características do empreendedor. Afinal, se não o fizesse, não estaria disposto a empreender, preferiria procurar um emprego, com salário e benefícios garantidos.

Diante disso, permitam-me parafrasear essa fábula, comparando o perfil de cada porquinho com os perfis de empreendedores que vejo em meu dia a dia, como consultor de negócios.

O primeiro porquinho, Cícero, foi o que assumiu o maior risco, construiu uma casa de palha, com a matéria de mais fácil acesso, sem considerar a força de seu algoz. Esse é o mesmo perfil do empreendedor que inicia ou expande seu negócio, com pouca ou nenhuma informação a respeito do mercado, dos concorrentes.

Esse tipo de empreendedor não tem tempo e disposição para elaborar um plano de negócios, prefere fazer logo o que tem que ser feito para ter mais tempo de “brincar” de empreender. Empresários com esse perfil assumem um risco altíssimo, pois acreditam que tudo vai dar certo e por isso iniciam negócios que não conhecem, sem reserva de capital de giro, sem alternativas para cenários menos otimistas, o que acarreta num enorme risco de ser engolido pelo lobo mau, digo, concorrente.

Já o segundo porquinho, Heitor, foi um pouco mais prudente, não escolhendo o caminho mais fácil, esmerou-se em fazer sua cabana de madeira, considerando ser este um material menos frágil, portanto, capaz de deter o lobo mau. Esse é o perfil do empreendedor que se preocupa um pouco mais com adversidades, geralmente constitui alguma reserva de dinheiro, busca mais informações sobre os aspectos concernentes ao negócio, mas, não o suficiente para ser bem-sucedido.

Empreendedor com esse perfil, geralmente, vai um pouco mais longe, pois consegue não ser abatido nas primeiras crises, assim como no caso do primeiro sopro do lobo mau. Quero gastar mais tempo com o terceiro porquinho, aquele que pôs o lobo pra correr. Enquanto os irmãos brincavam, Prático trabalhava, planejava, analisava os pontos fortes do lobo, fazia cálculos para decidir qual material seria capaz de deter seu caçador. Depois das análises prontas, o próximo passo foi construir sua casa, utilizando os melhores materiais disponíveis, com a certeza de que estaria seguro. Esse é o perfil do empreendedor de sucesso, aquele que assume riscos calculados. O sucesso não é algo que acontece por acaso, ele é planejado, construído e muitas vezes suado. As conquistas profissionais vêm como consequência da escolha pelo trabalho duro, enquanto a grande maioria se diverte.

Empreender é uma excelente alternativa para ganhar dinheiro e correr riscos faz parte disso. Mas correr riscos mal calculados é conviver com a possibilidade do negócio ser liquidado pelas intempéries que certamente virão. Temos aqui a oportunidade de aprender empreender com essa fábula que é tão antiga, tão simples, com princípios tão conhecidos e ao mesmo tempo tão negligenciados.

Antes de cantar “quem tem medo do lobo mau”, é preciso calcular os riscos de estar exposto ao lobo mau.

Artigo encaminhado por Renato Maggieri, Formado em Ciências Contábeis, pela Universidade Mackenzie e com dois títulos de MBA – em Gestão Empresarial, pela FGV, e em Executive Seminars, pelo Rockford College, EUA

 

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