Os web-apps vêm aí: o que fazer para não ficar para trás

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Você está mergulhado em um mundo appficado, já notou? Até outro dia os celulares só faziam ligações, mas agora os smartphones são repletos de aplicativos que prometem resolver de tudo um pouco. E o problema está exatamente aí.

Muitos desses aplicativos também viraram sinônimos de startups, diversos negócios surgiram a partir da idealização e construção de um software para smartphone que resolvia algum problema e muitos deles foram a porta de entrada de clientes que levaram a lucros estrondosos, como o caso do Uber. Conforme nos empolgamos e descobrimos novos aplicativos, vamos fazendo download. Assim, pouco a pouco a memória do celular vai embora, de modo que em algum momento você fica diante da decisão de apagar algum deles para liberar espaço para outros.

Diante desse cenário convém se perguntar, por que mesmo vou criar mais um app? Ele será relevante ao ponto de não ser facilmente desinstalado? Ou, indo um pouco além, que soluções estão sendo pensadas para essa questão? Afinal, por mais relevante que aplicativos possam ser, haverá um momento em que eles precisarão ser revistos.

Caminhamos para um momento em que apps só farão sentido se realmente forem essenciais. Um modelo de negócios forte ajudará o app a não ser facilmente esquecido ou desinstalado. Modelos capazes de fidelizar o usuário, que não pode usar o serviço sem passar pela plataforma. Criar um aplicativo que realmente precisa ser usado é essencial, porque se ele tiver alguma brecha que permita ao usuário obter a informação ou serviço de outro modo, ele vai desinstalar o que baixou, simples assim.

No caso do Uber o modelo é forte, porque eu não posso chamar um carro sem ter o aplicativo. Por mais que eu queria anotar o telefone direto de um motorista, não será a mesma coisa, pois a facilidade está em justamente chamar um motorista que esteja mais próximo, acompanhar informações sobre ele e pagar direto por lá, sem precisar de dinheiro. Certamente é um aplicativo que não vou querer desinstalar se uso com frequência, porque é relevante pra mim.

Outro dia me falaram sobre um aplicativo para intermediar mentorias, conectando interessados nelas e mentores. O contato inicial seria via plataforma, que permitiria a seleção do mentor e combinar o valor cobrado por ele. O problema é que existe uma grande brecha aí, se o usuário gostar daquele mentor e ele aceitar, poderá combinar consultorias com ele fora da plataforma e aí o aplicativo logo se tornará dispensável.

Com frequência vejo negócios planejando lançar apps que pouco fazem pelo usuário, ações que ele poderia encontrar facilmente acessando o site da empresa ou outros veículos. E aí gastam tempo e dinheiro em algo que não fará sentido, que só vai gastar espaço no aparelho de quem o instalar.

Entretanto, a questão sobre os apps vai bem além do espaço que eles ocupam nos aparelhos. Daqui pra frente a experiência do usuário vai contar muito e este será um dos motivos pelos quais apenas os aplicativos realmente bons e essenciais ficarão no mercado, ainda assim, precisando se ajustar às novidades que chegam, como o Progressive Web Apps, projeto do Google que permite criar híbridos de aplicativo e web, com carregamento rápido, experiência confortável, menos gasto de banda e sem ocupar espaço no aparelho.

De acordo com a Consultoria Gartner, em 2019 20% das grandes marcas deixarão de usar seus aplicativos móveis próprios como ponto de conta com seus clientes, isso porque eles tem se revelado como não tão relevantes e ocupados de memória de smartphones, pouco utilizados e com custo maior que o benefício.

A web móvel será mais usada, ou seja, o acesso começa no navegador e progressivamente a página se torna mais app, à medida que os usuários interagem e engajam. Para o usuário a vantagem é não precisar instalar mais um aplicativo.

Viveremos a era pós-app, com agentes inteligentes criando dinâmicas e contextos, facilitando o trabalho diário e deixando apenas as decisões realmente humanas a cargo do humano. Este item vai evoluir continuamente e se expandirá nos próximos 20 anos, de acordo com a Gartner.

Para melhorar a experiência do usuário ao usar aplicativos o Google tem uma solução, trata-se do PWA, ou progressive web apps, aplicações para tirar partido de novas tecnologias para trazer o melhor de sites móveis e aplicativos nativos para os usuários. As páginas carregam automaticamente, de forma instantânea e confiável. não importa que tipo de conexão se esteja utilizando. Por ser um web-app pode ser adicionado à tela inicial e permite ao usuário rapidamente acessá-lo, como se fosse um aplicativo mesmo.

Notificações do tipo push envolvem os usuários com mais facilidade, mostrando as que são oportunas e contextuais, mesmo quando o navegador é fechado. Imagens rolam de forma suave e garantem uma experiência melhor, mas é preciso ter HTTPS para proteger a conexão entre a página e o usuário, garantindo que a informação não seja adulterada. Além de tudo, é responsivo e se adapta a qualquer tela.

O conceito de Progressive Web App começa como uma simples aba no navegador Chrome e se torna “progressivamente mais app” à medida que você interage com ele, até que chega ao ponto em que pode ser adicionado à sua área de trabalho e, assim, ele adquire funções que antes eram exclusivas de aplicativos nativos: geolocalização, notificações, uso off-line, etc. E outra vantagem para o usuário é que ele não precisará se comprometer a baixar um aplicativo antes mesmo de saber se valerá a pena ou não.

O Flipkart é o maior e-commerce da Índia e decidiu combinar sua presença na web a um aplicativo nativo no PWA, o que gerou um aumento de 70% nas conversões.

Veja ainda como ficou a carinha do The Washington Post na versão PWA:

Mas além das vantagens para o usuário, eles também são melhores tecnicamente, pois são responsivos e se encaixam mais facilmente em qualquer resolução de tela (algo bacana para a era da internet das coisas, nas quais o acesso a internet será feito por superfícies diversas e o ideal é que não existam limitações de nenhum tipo), poderá funcionar mesmo sem conexão usando a tecnologia Service Workers, permitirá interações tão avançadas quanto de apps, sempre estará atualizado e não depende do usuário baixar uma nova versão, seu servidor será seguro para prevenir invasões e por não ser uma caixa fechada avulsa, como é hoje, já nasce amigável para o SEO, podendo ser encontrado facilmente pelos mecanismos de busca. Além disso, os web-apps permitem enviar notificações para o usuário, podem ser salvos no celular para facilitar o acesso e são linkáveis, podendo ser compartilhados com outras pessoas.

Outro projeto do Google é o AMP Project (acelerator mobile pages), uma iniciativa de código aberto que incorpora a visão de que os editores podem criar conteúdo otimizado móvel e carregá-lo instantaneamente em toda parte.

O projeto acredita que o caminho para acelerar o carregamento de um conteúdo não é usar uma plataforma específica, pois significa um fardo para os editores. Mas esses editores puderam apoiar a construção da iniciativa que visa melhorar a web móvel e o ecossistema de distribuição. Se o conteúdo for rápido, flexível e bonito, incluindo anúncios atraentes e eficazes, pode-se preservar o modelo aberto de publicação na web, bem como fluxos de receita tão importantes para a sustentabilidade desses modelos de negócios e a consequentemente publicação de qualidade.

O AMP HTML é uma nova maneira de fazer páginas da web, que são otimizadas para carregar instantaneamente em dispositivos móveis dos usuários, projetadas para suportar um cache inteligente, com desempenho previsível, bonito e moderno. E para que um site tenha sua versão AMP, basta instalar um plugin. AMP garante que o conteúdo seja exibido corretamente e todos os navegadores e aplicativos modernos, afinal, se o dispositivo for um problema, o conteúdo não será entregue devidamente. 

Vale a pensa ficar de olho neste assunto, pensar modelos de negócios mais fortes e começar a estudar novas formas de desenvolvimento, pois os web-apps vem aí.

Flavia Gamonar é professora em cursos de pós-graduação em TI, marketing e carreira, doutoranda em Mídia e co-fundadora da Content Review Brand Yourself.

 

 

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