Colaboração: a competência mais importante para a inovação

Se você é uma daquelas pessoas que acreditam que existem dois perfis de profissionais: os criativos e os executores, quero propor a você uma revisão nos seus conceitos.

É possível, sim, atribuir que parte das soluções do mundo moderno só foi possível por meio de alguns inovadores brilhantes que, ao longo da história, desafiaram o status quo e reinventaram os contextos em que viviam.

Entretanto, no momento atual, em que todos os modelos de negócio estão sendo desafiados, em que a capacidade de armazenamento de informação e análise de dados cresce de forma exponencial, em que os algoritmos são os reais tomadores de decisão, não basta somente uma pessoa com mentalidade genial e perfil "fora da curva". 

Ao contrário, quanto mais disruptiva for a ideia, maior sua dependência de vários agentes para que seja discutida, conceituada, testada, evoluída e, acima de tudo, implementada.

De boas ideias o mundo está repleto. A inovação com valor é aquela que está nas ruas, sendo utilizada pelas pessoas e não nos projetos conceituais, nas gavetas das organizações. 

A exposição que as startups e as empresas de tecnologia ganharam foi em boa parte por esta razão: sua capacidade de execução, diretamente relacionada aos seus modelos de operação. Em uma startup, bem como em empresas como o Google e o Facebook, profissionais com diversas formações, em diferentes funções, trabalham de forma integrada, com um único propósito, originado de uma necessidade, de um problema real do cliente. 

Quem conhece, sabe que os modelos operacionais das grandes organizações são bem diferentes. A própria nomenclatura das áreas, os departamentos, já induzem a uma operação fragmentada, em que cada uma das áreas responsáveis por uma parte da entrega atua em um modelo sequencial de esteiras de produção. O resultado é um incentivo orientado a uma cultura de cliente/fornecedor interno, em vez da colaboração e do propósito único.

Inovação exige colaboração. E as grandes organizações exigem mudanças estruturais na estratégia e nos seus sistemas de gestão.

Os novos modelos devem contemplar novos incentivos que permitam a colaboração:

Entre as pessoas – Maior colaboração genuína entre pessoas dos diversos departamentos da organização. Além disso, devem permitir que os profissionais colaborem também com as comunidades externas, sejam elas de desenvolvedores, estudantes ou clientes.  

Entre as empresas – Colaboração poderia também permitir que empresas tradicionais cocriem novas soluções com startups, não em um modelo de prestação de serviços, como é comumente praticado, mas realmente para resolver problemas em conjunto, com ambas as empresas se beneficiando-se das principais competências da outra.  

Entre os sistemas – E, num futuro não muito distante, capacitar as pessoas para que colaborem ainda mais com as máquinas, numa perfeita junção de inteligência humana e artificial.

Para que a verdadeira disrupção aconteça, o velho e o novo têm que trabalhar juntos.

Os grandes desafios para as empresas e as pessoas resumem-se em definir estratégias e sistemas de gestão que promovam a colaboração e incentivem a abertura para o aprendizado e a convivência com o erro.

Ao contrário do que muitos pensam, a inovação está mais próxima do processo de fazer as perguntas certas e adotar um método estruturado para respondê-las do que das respostas em si ou das 'big ideas" muitas vezes associadas a ela. 90% transpiração e 10% inspiração.

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Artigo de Ellen Kiss. 

Ellen é superintendente de marketing digital no Itaú Unibanco e coordenadora acadêmica do curso de Pós-Graduação em Inovação e Estratégia na ESPM. Previamente, ela atuou como superintendente de inovação em investimentos e mercados de capitais e gerente de UX, ambos no Itaú. Atuou também como diretora da Abedesign - Associação Brasileira das Empresas de Design. É pesquisadora, praticante, coordenadora e professora sobre temas que envolvem inovação, design e estratégia. Formada em comunicação com mestrados em Design Management pela University of Arts em Londres e em Ciências do Consumo pela ESPM.

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