A TV paga hoje não é apenas mais um cabo

O começo da TV por assinatura foi bastante curioso, pois ela foi idealizada em um princípio caótico.  Explico; o filósofo Platão dizia que “a ideia era filha da necessidade”. Ou seja, a dificuldade traz mesmo soluções.

Os Estados Unidos tinham apenas emissoras de televisão abertas, que operavam por VHF. Sendo este sinal irradiado por antenas terrestres. E desde o início das transmissões havia uma dificuldade em se cobrir áreas com topografia desfavorável. Assim surgiram algumas empresas, que através de cabo, levavam os sinais da TV aberta a estes domicílios.

Na década de setenta, já que havia uma grande oferta em enviar sinal de televisão através de cabos, surgiram as primeiras emissoras por assinatura, a exemplo da Home Box Office – HBO, que depois se especializou em filmes. Na sequência chega a CNN, da Turner, focada apenas em notícias. A diferença delas para as abertas, que ainda hoje detém uma grade de programação genérica, como novelas, shows, esportes, etc, era exatamente a programação especializada por um único gênero.

Com o avanço da tecnologia no sistema a cabo, o sinal é captado pela empresa operadora via antena parabólica, onde é selecionado e distribuído para os assinantes através de cabo coaxial ou fibra ótica.

Para que isso se torne possível, a operadora equipa a região com toda infraestrutura necessária. Uma central chamada headend recebe os sinais por antenas, distribuindo-os pelos cabos instalados, que chegam até os assinantes através de dutos subterrâneos ou pelos postes, e são conectados nos aparelhos de televisão do assinante.

Este sistema, quando utiliza cabos de fibra ótica, não necessita de amplificador de sinal ao longo da rede, transmitindo milhares de informações ao mesmo tempo, sem dispersão de sinal. Importante ressaltar que era obrigatória, por força de lei, a reprodução de todos os sinais aéreos das TV abertas da localidade. Com o advento do HDTV, esta obrigatoriedade foi extinta.

Com o avanço da tecnologia surgiu o DTH, serviço de distribuição de sinais do satélite diretamente para a casa do usuário. Este sistema funciona com a mesma estrutura do DBS (a programadora envia o sinal para o satélite, que é captado pela antena parabólica), no entanto é operado através da banda KU (faixa de frequência de micro-ondas, de 10,95 a 12,7 GHz). A diferença para o sistema DBS é a necessidade de uma antena parabólica de dimensões reduzidas, além de potência e frequência superiores. Isto resolveu também um problema para países como o Brasil, que tem enorme dimensão geográfica inviabilizando economicamente a infraestrutura de cabos.

O sistema permite um aumento significativo na quantidade de canais e uma excelente melhoria da qualidade de transmissão, devido à qualidade digital. Além disso, comporta o sistema pay-per-view, para vender eventos especiais e filmes recém-lançados em circuito comercial.

Hoje, cada operadora carrega centenas de canais, cobrindo todos os gêneros de programação e com a evolução do sistema e qualidade quem aproveitou foi a publicidade, que no início participava pouco. Agora, pela adequação de temas e segmentação de produtos e serviços, se tornou imprescindível anunciar na TV por assinatura.

Como tendência, as operadoras se preparam para um novo formato de consumo de mídia, o VOD, Vídeo por demanda, conforme abordado por mim em meu livro “Atração Global” de 1998.

Artigo de Toninho Rosa, presidente da Dainet e do conselho da ABEMD, conta a evolução do segmento

 

Artigo de Toninho Rosa

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