SXSW: as primeiras 72 horas do maior “dump” de conteúdo do ano

Estamos no 4° dia de SXSW. Não é o 4° dia do evento como um todo, já que o SXSWEdu rolou entre 5 e 8 de março e esse capítulo do festival - lançado no ano passado - vem crescendo muito.

Mas ultrapassamos a barreira das 72 horas do que eu creio ser o maior “dump” de informação ao qual eu pelo menos me submeto durante o ano. Assim como em anos anteriores, as filas e a preparação para escolher a programação são assuntos frequentes no café, no jantar - para que almoçar? - e até naqueles encontros de banheiro que acontecem com todo mundo.

No entanto, pela primeira vez, nessa edição os participantes podem acompanhar a lotação da sala pelo app e decidir se muda de plano caso a luzinha amarela ou vermelha apareça na tela. Uma melhoria simples, mas fundamental.

Entre os temas predominantes, esteja você no Keynote de Melinda Gates ou no painel com uma professora da University of Texas sobre como “viralizar” conteúdo noticioso sobre política, a emergência da voz de mulheres e negros, o ativismo pela igualdade, a preocupação com AI e a curiosidade sobre como o blockchain vai impactar as vidas de todo mundo.

Do ponto de vista de tecnologia, parece que cruzamos o “chasm”; veículos autônomos não apenas são realidade, o desafio agora é como redesenhar as grandes cidades por conta da adoção dos AVs. Idem para realidades misturadas: são parte da estratégia de entretenimento, seja para contar histórias ou para aumentar as mesmas e ninguém mais se impressiona com isso.

Inovação começa a significar o que o dicionário quer que a palavra signifique: nova geração de valor ou de comportamento.

Como resolver a perda de sangue para transfusão por conta de métodos de distribuição antigos, como construir uma piscina flutuante no Rio Hudson filtrando 1 milhão de galões de água por dia ou como integrar sensores nas roupas são as inovações que vemos.

No Trade Show, os usual suspects: novidades malucas vêm do leste e a busca pela sustentabilidade e eficiência do oeste. Os países asiáticos demonstram sua curiosidade e criatividade com um toy art enorme que cria um rap para você a partir do seu nome, aniversário e mais alguma informação e os belgas apresentam uma inteligência artificial que reescreve todo o conteúdo de um site diariamente.

Entre os participantes, uma quantidade enorme de brasileiros. Mas outros países também apresentam delegações numerosas, entres esses, Alemanha, Grã-Bretanha e França, além, é claro, de Japão e China.

Ainda temos alguns dias pela frente, mas, se eu posso fazer qualquer crítica até agora é a falta de mais vozes de outros países nos palcos principais. Fora isso, me sinto como uma criança em uma loja de brinquedos. Fechada. Para mim. E todos os brinquedos tem pilha.

Fernanda Romano é sócia-fundadora da Malagueta, e co-fundadora do Coletivo WeLove, plataforma de conteúdo original lançada na segunda metade de 2015. Foi selecionada pela AdAge em 2012 como uma das 100 mulheres mais influentes da comunicação mundial, ao lado de nomes como Arianna Huffington e Sheryl Sandberg. É também membro do Creative Social e tem passagens por Grupo Havas, DM9DDB, Lowe e Naked Communications.

O SXSW Insights tem o apoio do Malagueta Group e do Little Brasil – Brazilian Neighborhood, projeto que constrói experiências de conhecimento, educação e imersão sobre o mercado de comunicação, levando todo o potencial criativo, inovador e empreendedor do país ao redor do mundo.

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