A verdade sobre o SXSW

Marinheira de primeira viagem, estou hipnotizada como uma criança na Disney. Ainda em processo de digestão, muito do que dizem sobre o SXSW é verdade. FOMO é premissa (tem também o FOTC - fear of making terrible choices). É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e nós somos um só. Isso faz com que o "after" e o contexto do festival sejam mais ricos do que as tão notáveis palestras em si. A mágica do SXSW é a experiência como um todo e não aquele "input" que você vai anotar no caderninho. É fora do palco que acontecem os momentos "mind-blowing". Todas as mentes, aqui, estão em ebulição.

Cada um vê um festival diferente. As conversas (e grupos de WhatsApp) vão costurando os fragmentos em um bicho só e dando a cara da edição. As palestras dos famosos são mais previsíveis e bem impactantes pela repercussão (do tipo: eu vi o E-L-O-N M-U-S-K de carne e osso na minha frente, ok? Obrigada). Os conteúdos menos "mainstream" podem apresentar uma surpresa fenomenal ou um desastre lamentável.

Daquilo que eu presenciei, algoritmo e fake news foram protagonistas. Todos falam neles. Sadiq Khan (aka Obama de Londres), em especial, endereçou bastante a preocupação. De quem é a essa responsabilidade? Como resolver? Não é possível que ainda não tenhamos tecnologia para tal. O Facebook foi hostilizado em muitos momentos. Computação quântica (minha descoberta mais especial) está ganhando voz e Blockchain não fascinou.

Se for pra falar de uma palestra apaixonante, Byron Reese (CEO do GigaOM) deu um nó na minha cabeça falando filosoficamente sobre inteligência artificial e computadores conscientes. A questão mais latente aqui no festival: inteligência artificial é (ou não) uma ameaça para nós (humanos)? A automação tira ou cria empregos? Byron apresentou uma visão existencial como resposta: depende de como você se enxerga enquanto ser vivo. Somos uma máquina, um animal ou uma pessoinha especial? Se somos apenas uma máquina, sim, a inteligência artificial pode te substituir. Antes de questionar se as máquinas vão se tornar conscientes, precisamos estar esclarecidos sobre o que é de fato a consciência.


Juliana Gouvêa é contestadora nata, amante de papos científicos e filosóficos, vítima da geração X, viciada em celular, fascinada por tecnologia, cinéfila de boteco e gerente de planejamento na Blinks. Também escreve a Blinks News, uma newsletter bem humorada sobre o meio digital.

O SXSW Insights tem o apoio do Malagueta Group e do Little Brasil – Brazilian Neighborhood, projeto que constrói experiências de conhecimento, educação e imersão sobre o mercado de comunicação, levando todo o potencial criativo, inovador e empreendedor do país ao redor do mundo.

Deixe seu comentário: