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"Fale menos sobre quem trabalha na sua agência e mais sobre pessoas reais"

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No primeiro dia de Ad Stars, o festival de criatividade que mais cresce na Ásia (conheça mais aqui), diversos profissionais do ramo publicitário se apresentaram, no entanto, a conferência de Bolaji Alausa, diretor executivo de criação da Noah’s Ark Communications Limited, estendeu as fronteiras do evento por expor uma realidade que nem sempre é contemplada nas conversas dentro do segmento.

Nascido na Nigéria, o executivo apresenta dados que mostram que 40% do continente vive em cidades, 93% dos africanos têm smartphones e que a alfabetização total não passa de 37%. Diante dessa diferença estatística, a maioria da população alicerça seus valores entre um misto de tradição e modernidade.

Com uma sociedade extremamente patriarcal e constituída por diversas diferenças culturais, as marcas procuram formas de entender a África. “Nós temos uma formação milenar e diferente do ocidente. Para exemplificar, na Grécia tem um deus do trovão, Zeus. Na mitologia nórdica, há Thor. Em nossa terra, cada tribo cultua o seu próprio deus. Isso sem contar todas as diferenças sociais”, explica o diretor.

Cenário regional

“Muitas campanhas publicitárias que fazem sucesso lá fora, tentam obter o mesmo resultado no nosso continente, mas elas esquecem que a África é diferente da Europa”, aponta o criativo.

Como principal exemplo para o seu ponto de vista, Bolaji comentou sobre a popular campanha “Dirt Is Good” de OMO que foi muito bem na Europa, mas não obteve o mesmo sucesso regional. Pois, diferentemente da Inglaterra, na Nigéria, a Cólera e a Malária ainda são doenças que assombram muitos pais quando seus filhos vão brincar fora de casa.

Filmes que entendem a região

“Temos diversos princípios que têm que serem levados em consideração antes de iniciar uma estratégia. Até hoje, os valores familiares, o patriarcado, as diferenças regionais e as aspirações são levadas muito a sério por lá. Citarei algumas companhias estrangeiras que conseguiram traduzir um pouco de nossa realidade”, aponta o executivo. Confira abaixo algumas delas:

Guinnes – Sapours

Ramadan Soup - Sharing

Meet  The In Laws – Airtel

Para ser relevante regionalmente

“Se você quiser um criativo que transmite suas ideias para o lugar que você vive, não é essencial se basear em histórias ocorridas em Nova York ou Tel Viv. A força do que você irá contar surgirá de sua própria realidade”, afirma.

Para finalizar, Bolaji deixa um conselho para os ouvintes de diversas partes do mundo: “ Tenho certeza que o bom conteúdo é o que transgride. Por isso, fale menos sobre quem trabalha na sua agência e mais sobre pessoas reais. Você pode traçar uma estratégia global, mas quando mudar de região, refaça o seu projeto para entender as particularidades locais. Esse é um dos caminhos para ser relevante na publicidade”.

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