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Cannes Lions e as coisas que matamos lá

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Para onde vão as ideias premiadas, as selecionadas e aquelas que nem chegaram a entrar no shortlist, mas que foram analisadas e discutidas? Qual o destino delas depois que o show termina?

Ao que tudo indica, elas morrem de velhas. Chegam à Cannes em sua melhor fase, e logo em seguida, são condenadas à morte. Afinal, se foram assunto no festival, ficam velhas antes que ele termine. Elas não perdem o valor, mas tiramos delas o direito ao encantamento. 

Então, voltamos para casa e recomeçamos a busca por ideias que não podem lembrar vagamente aquelas tão aclamadas no festival. 

Mas isso não é improdutivo e cruel? Muitas coisas revolucionárias não negam o que já existe, elas evoluem. Foi assim com o celular, com o avião, com a medicina. É assim com a arte, com a música, com o cinema. 

Por que é que na nossa indústria temos uma mão tão pesada ao definir o poder de uma ideia? Todos nós bebemos da fonte das referências que julgamos revolucionárias. Mas também fugimos delas porque somos competitivos. Não basta pensar numa ideia melhor, tem que obsoletar a ideia anterior.

Esse umbiguismo está nos colocando no passado do qual tanto fugimos.

Ele não nos deixa evoluir, a não ser que a gente invalide o que foi feito antes. Daí precisamos recomeçar do zero.

Ideias são muito mais fluidas e livres do que nós. Não podemos ter o controle sobre elas, pois são como os nossos filhos que criamos para o mundo. Essa nossa busca pela ideia mais autêntica do planeta não passa de egocentrismo. Repetimos a frase “isso é tão 201X” sem nos darmos conta do quão prejudicial ela é.

Espero ver, no próximo ano, as ideias revolucionárias de 2018 evoluírem para ações transformadoras de 2019.

Gostaria de ver Ikeia Room sendo ainda mais desenvolvida por outras marcas, ganhando escala, resolvendo efetivamente a violência doméstica. 

Seria lindo ver The Corazon – Give Your Heart campanha da Montefiore para doação de órgãos servindo de inspiração para que outras marcas incentivam a prática.

Não matem as ideias aclamadas nos festivais depois que eles terminam. Reverenciem-nas e respeitem seu legado. Democratizem todas elas. Será bem mais legal.

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