El Ojo 2016

ChinChin dá voz aos que vivem do outro lado do Muro

Fuck The Wall
Fonte: Fuck The Wall

Cruzar a fronteira para os Estados Unidos sempre foi difícil e atualmente está cada vez mais complicado, se Trump ganhar será impossível, já que o presidenciável pretende construir um muro que divide o país do resto da América Latina. Em uma lúcida análise dessa problemática, a Santa Clara, agência do El Ojo, percebeu que agora era o momento certo de abordar o tema e convidou, mais uma vez, a cholita boliviana para fazer o papel de ChinChin.

“Procuramos fazer algo aberto. A ideia não surgiu com uma forma, um roteiro, ela nasceu como uma coisa a ser feita. No início, queríamos filmar um discurso de ChinChin em Washington, mas não era viável, pois processos judiciais poderiam falir a empresa e a LatinSpots”, explicou Leo Ávila, diretor criativo de Santa Clara.

Diante deste imbróglio, a equipe se viu obrigada a mudar o plano inicial. “Como não poderíamos fazer a ação em DC procuramos pensar em um filme manifesto da ChinChin. Juntamos pessoas da Bolívia, Brasil e Argentina para a empreitada e justamente desse encontro de diferentes lugares que vem os bons resultados”, contou o brasileiro.

Para personificar a luta do povo latino, a produção optou por convidar uma cholita, tipo tradicional de competidora de lutas boliviana. “Ela não é atriz, é uma cholita de tradição e o talento está nela. Quando eu a vi percebi que ela conseguiria, ela tem força. Nas filmagens fizemos ela discursar olhando para os Estados Unidos. Quando você não tem coisas encaixotadas o ganho é incrível”, disse Adriana Montenegro, diretora da produtora Indomita.

“Não ter um briefing fechado só nos trouxe trocas e conquistas. As fotos que a Adriana mandava para nós de La Paz eram incríveis para nós e para ela era comum. Procuramos reunir a riqueza latina no filme. A trilha sonora é peruana, o muro é grafitado por bolivianos, a pós produção é brasileira e o ganho com esse intercâmbio é incrível. Usamos a ChinChin como uma alavanca cultural”, comenta Ávila.

Confira abaixo a prova de que todas essas trocas, autenticidade e colaborações fizeram com que o resultado final se concretizasse em uma peça multiétnica e multicultural. Não é Bolívia, Argentina, nem Brasil. É a voz da América Latina.

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