8º Fórum de Marketing Empresarial debaterá novos modelos para o mercado publicitário

quintelka

Uma citação muito comum entre os executivos de marketing diz que em tempos de crise, enquanto as pessoas choram há sempre um mercado consumidor para lenços. O Brasil está vivendo esses tempos; a citação tem lógica e pertinência, mas é preciso levar em consideração a dinâmica do mercado publicitário. Com mudanças radicais nos meios e nas formas de comunicação, como se vende lenços hoje? Aliás, não só lenços, mas como impactar o consumidor na hora certa para comprar?

Para se aprofundar nestes assuntos, o 8º Fórum de Marketing Empresarial que acontecerá entre 18 e 20 de agosto elegeu como tema principal “Em busca de novos modelos”. Dentre os subtemas complementares serão discutidos em seus painéis “Os Consumidores no Controle” e “Quebra de Paradigmas”. E para justificar este último subtema, o próprio evento ajustou-se à realidade e pela primeira vez em oito anos quebra seu próprio paradigma elegendo um curador. Essa função será exercida por Marcos Quintela, CEO e sócio do Grupo Newcomm, holding das agências Y&R, Grey Brasil, Wunderman, VML e Red Fuse.  Foi do curador a escolha do tema principal, assim como de todo o gerenciamento de conteúdo do evento, incluindo as palestras, os painéis e debates e as premiações. Nesse particular não é pouca coisa em se tratando de suprir, em parte, a ausência de João Dória Jr, hoje prefeito de São Paulo.

Em conversa com o Adnews, Marcos Quintela disse que sua ação está fundamentalmente voltada para o conteúdo e que juntamente com toda a equipe que trabalha para o evento espera que os participantes e os convidados para os painéis possam refletir e discutir esses novos tempos.  “Meu desejo é que possamos estressar esses temas nas mais diversas formas uma vez que contaremos com palestrantes, debatedores e moderadores do mais alto nível. O 8º Fórum se prestará muito para discussão e reflexão, porque atitude cada um adotará na sua empresa ou no seu setor de trabalho”, afirma Quintela. Quanto ao debate sobre a  melhor forma de se atingir o consumidor levando-se em conta todos os meios de comunicação e a empatia com o público, Quintela informou que quando se formulou o painel “ Os Consumidores no Poder”, a questão mais relevante encontra-se no conteúdo da comunicação.

Hoje em dia o consumidor está demonstrando que vai consumir o conteúdo a hora que ele quer e no momento que desejar. “Para que a comunicação publicitária tenha resultado é necessário adotar uma estratégia de estar presente em todas as plataformas”, disse Quintela, acrescentando que os exemplos dos novos tempos estão cada vez mais consistentes. “Veja o caso do Netflix. O consumidor assiste ao filme que deseja na hora que for do seu interesse. A Rede Globo tem a maior rede de canal aberto do Brasil. Para satisfazer a demanda dos seus telespectadores, a Globo criou o aplicativo GloboPlay. Qualquer programa da Globo, após ir ao ar, entra no GloboPlay e fica à disposição para ser assistido a qualquer momento. Essa é a estratégia, porque o consumidor toma posse do controle de sua vida, seja para escolher o que deseja assistir, seja filmes, shows, jornalismo, esporte e ao mesmo tempo ser impactado pela venda de produtos ou serviços”.

Há outros modelos de sucesso como Globosatplay, GloboNews, a Now, onde os consumidores dispõem de tudo que desejar usando a tela do celular, tablet ou computador. O consumidor está no controle para ser impactado pela propaganda todo o tempo. Mas para isso a propaganda descobriu formas de compatibilizar-se com o conteúdo dos meios utilizando-se do brandend content, cujo conteúdo publicitário está inserido dentro do próprio conteúdo editorial, seja ele jornalismo, telenovelas ou esportes. Sob essa ótica, fica a impressão que a indústria da propaganda relegou a um segundo plano a chamada mídia impressa, como revistas e jornais. Não é verdade, o avanço também chegou à mídia impressa de forma harmonizada. Os anúncios são relevantes pela forma e também pelo conteúdo. As peças publicitárias impressas disponibilizam informações sobre novos meios de compra também pela internet e sites especializados.

Diante desse cenário de constantes mudanças, pode se afirmar que quebrar paradigmas deve ser uma constante no negócio da propaganda? Resposta de Quintela: “Sim, porque o mercado não aceita passivamente uma grade de programação engessada, tanto no rádio, como na televisão ou na internet. E o detalhe é que essa atitude está vindo do consumidor para o produtor de conteúdo”. Os responsáveis pelos meios de comunicação estão cuidando para que essas mudanças sejam ajustadas de acordo com a demanda sem ferir preceitos éticos, até porque, nesse sentido o consumidor está atento. O 8º Fórum de Marketing Empresarial promete, como disse Quintela, discutir e refletir sobre esses novos tempos. O interessante é saber a opinião do curador sobre o nível de compreensão por parte dos anunciantes em relação a essa nova dinâmica de comunicação publicitária: “Acredito num processo. Como veio a fase da digitalização no mundo, no começo era uma revolução, hoje já é uma evolução. Penso que o processo já está chegando junto ao empresário da indústria, do comércio. Então, não resta dúvida que estamos avançando. E isso não é apenas decorrente de uma demanda, de necessidade do mercado, mas também das novas gerações que estão chegando. Não vejo nenhuma dificuldade nesse processo de adaptação”.   

               

Deixe seu comentário: