Como a Internet das Coisas salvou uma empresa do fracasso

internet of things

Em 2006 as manchetes dos principais jornais italianos noticiavam algo parecido: Trenitalia, a principal companhia de transporte ferroviário, criada em 2000, passava por um grave déficit (na casa dos bilhões) por conta de seus custos operacionais e manutenção. A insatisfação dos passageiros era alta e existiam problemas com a colocação de bilhetes, conforto, uso de tecnologia, cancelamentos, atrasos para manutenção e acidentes.

A Trenitalia queria tornar seu serviço mais eficiente, porque a situação financeira precária continuaria sendo um problema dali para frente se nada fosse feito.Por padrão, a manutenção de trens era agendada com base em quanto tempo o trem estava em operação, o que abria espaço para brechas, pois uma falha poderia acontecer antes do tempo previsto para a manutenção. Tudo isso aumentava seus custos.

Usando Internet das Coisas para mudar o cenário

Muito se ouve falar sobre Internet das Coisas e para muita gente ainda parece algo distante ou que se limita a ter uma geladeira conectada à internet. Foi um projeto envolvendo Internet das Coisas que mudou seus rumos, provando que mesmo quando o pior está prestes a acontecer é momento de investir.

O objetivo da empresa com o projeto era reduzir seus custos de manutenção em e que também ocorresse um aumento na disponibilidade de trens e melhoria da satisfação do cliente.

Na verdade, a Internet das Coisas não se limita à um único produto. Suas aplicações podem variar de acordo com os diferentes segmentos das empresas.

A implementação de Internet das Coisas com sucesso requer uma estratégia coordenada de transformação de processos de tecnologia e negócios. Convém ressaltar que para existir um projeto de Internet das Coisas não adianta que uma empresa saia comprando sensores, hubs e plataformas. É preciso definir primeiro o tipo de problema que se pretende atacar, isso porque a internet das coisas permite criar uma infinidade de novas informações, mas a conexão e coleta de dados será inútil sem as soluções corretas para gerenciar, analisar e criar informações relevantes sobre todos esses dados.

Como a transformação aconteceu

A solução escolhida para o projeto foi o SAP Leonardo, uma plataforma multidisciplinar que ajuda a criar aplicativos inteligentes e inclui tecnologias de Machine Learning (aprendizado de máquinas), Internet das Coisas e Blockchain, (tudo na nuvem) para otimizar processos e diagnósticos.

Os trens tiveram sensores instalados, que geravam dados que podiam ser analisados automaticamente ao final de seu percurso. Esses sensores permitiram gerenciar a manutenção de forma dinâmica, e forneceram dados tem tempo real sobre seu desempenho, agendando a manutenção apenas quando ela era realmente necessária, o que também contribuiu para aumentar a segurança na frota.

Os trens passaram a possuir entre 500 e 1000 sensores capazes de gerar até 5.000 pontos de dados por segundo, que são transferidos para um banco de dados cuja memória é potentíssima, na casa dos terabytes ou até petabytes ao serem armazenados em nuvem.

Hoje o cenário envolve uma operação de 250.000.000 km rodados por ano, 2.000.000 passageiros por dia,32.000 empregados e 6.300 trens por dia. 

Além do benefício financeiro gerado por essa transformação digital (que reduziu 10% de custos e gerou uma economia de 1.3 bilhões de euros), houve uma redução na indisponibilidade não planejada de trens. O estoque de peças sobressalentes pode ser reduzido, o tempo gasto na manutenção foi reduzido e a empresa pode ter uma visão completa e em tempo real sobre toda a frota de trens, podendo ser alertada sobre um possível problema, antes que, de fato, acontecessem.

Ao aumentar a satisfação do cliente foi possível investir em uma campanha de marketing agressiva e em um novo sistema de reserva. A tecnologia a bordo permitiu oferecer ao passageiro um sistema avançado de informação e internet a bordo.

É preciso se transformar antes que seja tarde

A história da Trenitalia nos mostra na prática como as empresas precisam se transformar digitalmente para que não fracassem. E nesta história, especificamente, um fato é curioso e tem muito a ver com esse papo de transformação digital. O nome da solução da SAP Leonardo é uma homenagem ao grande visionário, inventor e artista Leonardo Da Vinci.

O artista ficou conhecimento por ter uma visão incrível, ele inventou helicópteros, tanques, submarinos e muitas outras coisas bem antes destas tecnologias existirem. A primeira conexão com sua essência para as empresas é que elas precisam ser visionárias como ele. Da Vinci não se limitou a pintar ou a se dedicar às esculturas, como muitos dos artistas na época fizeram. Seus interesses eram mais amplos e incluíam invenções, pintura, escultura, arquitetura, música, matemática, engenharia, literatura, anatomia, geologia, entre outros. A homenagem faz todo sentido se analisarmos a essência de solução baseada em uma plataforma multidiscplinar, que consegue conectar pontos de negócios e otimizar seus processos e dia a dia, permitindo que as empresas sejam visionárias e conectadas, como Da Vinci. Ele mesmo nos convidava a perceber como tudo se conecta no dia a dia.

Mais do que falar sobre transformação digital, agora começaremos a falar sobre renascimento digital, o início da revolução cognitiva. Da Vinci foi um dos grandes nomes deste período por suas múltiplas habilidades e talentos. Novas soluções tecnológicas estão sendo pensadas também neste sentido, por meio de plataformas que reúnem soluções múltiplas e integradas, como Blockchain, IoT, Machine Learning e muito mais, trabalhando de forma integrada. Não será uma única tecnologia a salvadora do mundo, mas a agregação de diferentes delas.

Apesar de ainda parecer distante e caro para algumas empresas as soluções envolvendo internet das coisas, a SAP anunciou um investimento milionário em soluções de IoT para ajudar organizações a começar projetos pilotos menores.

Além disso, em São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre, a SAP inaugurou um centro de inovação voltado para atrair a comunidade acadêmica para trabalhar com Leonardo e as iniciativas envolvendo Internet das Coisas. Este centro é o primeiro do gênero na América Latina. A empresa também afirmou que permitirá que as pessoas desenvolvam aplicativos na plataforma SAP Leonardo para a loja de aplicativos, facilitando a integração das soluções com APIs.

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