Hey, mercado, vamos fazer o #MeaCulpa?

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Depois de casos como do Cocielo, é natural todo o mercado entrar na conversa de modo ativo olhando o culpado por um espelho protetor, a ponto até de começar a fazer pesquisas de demais criadores e começar a ver que existem problemas maiores que nunca vieram em questionamento até então… Mas afinal, a culpa é realmente só deles?

Entendo a facilidade de apontar dedos e falar "ufa, finalmente caiu", o problema está na falta do exercício de aprender com o erro alheio. Vamos deixar claro algumas coisas, se você tivesse verba, a primeira coisa que você faria para trabalhar com creator seria a de buscar os maiores números, olhar os vídeos "por cima" e trabalhar com números dessa pessoa, fim. Se dizer que é mentira, ou você é idealista fora da curva profissional ou não sabe o chefe e cliente que tem.

A culpa é deles, a culpa é nossa... Não é de hoje que se pede responsabilidade e contabilidade de tudo que fazemos na internet, é exaustivo continuamente debatermos tópicos que deveriam ser de bom senso como, respeito ao trabalho do próximo (conteúdo), respeito pelo mercado (leis e éticas), respeito pelo lugar que você trabalha (cooperação) e pelo seu próprio trabalho (você profissional).

Mercado digital não é bagunça, e nunca deveria ser, mas é por conta de diferentes aspectos ofertados que as pessoas acabam confundindo o novo método/modelo de trabalho com liberdade extrema de soltar aquele "EU" que nunca é solicitado - e que só você precisa lidar.

O eu de dentro do trabalho deveria ser "eu ajudo", "eu pesquiso", "eu preciso de ajuda", "eu vou estudar", "eu vou me incluir na pauta/equipe/trabalho", "eu vou ser melhor para mim, acima de tudo". E nunca é solicitado o "Eu não gosto", "Eu não quero", "Eu achista, Eu negativo, Eu evito "esses tipos", "eu vou por esses números"..."

O "eu" do trabalho precisa se mesclar com os outros vários "Eus" para criar o time de "nós" que vai fazer as campanhas existirem, que criam o ambiente de trabalho, os projetos saírem do papel e, no fim, todos serão os responsáveis pelo que soltam nas ruas.

Mea Culpa

Se dezenas de marcas patrocinam pessoas que um dia falaram alguma coisa errada, a CULPA É SUA, É DO COLEGA DO LADO, É DA AGÊNCIA. Que não soube pesquisar, não soube analisar, não soube conversar com o criador e perguntar "fulano, tu ainda é antissemita ou finalmente já evoluiu?", "Cicrano, ao invés de pensar que é estrela do rock pedindo e mudando 1000x coisas no meio do caminho dessa campanha, simbora falar sobre esse seu conteúdo passado, como tu pensa hoje?" - É NOSSA CULPA como comunidade de não cobrar mais a cada momento que lemos ou assistimos alguém - que tem impacto com a nova geração ou com massas - que fez algo completamente ofensivo e ficamos quietos, ignoramos e não cobramos essa pessoa ser um exemplo melhor - especialmente se trabalha conosco, em nosso mercado.

Fazer diligência, toma um tempo necessário, mas não dói, e será de grande valor para sua vida profissional e para o nome da agência… Essas mesmas que precisam entrar na roda de tudo que aconteceu e lembrar do #MeaCulpa. - Vimos as marcas pedindo desculpas aos consumidores, não vimos tanto as agências compartilhando que vão melhorar a entrega.

Estamos no aguardo do post de reflexão de uma das envolvidas, alguma arrisca?

Já, pelas redes sociais afora, olhando os posts de caça às bruxas de demais criadores e influenciadores, pensa assim: 'Canaliza' o ódio que tem por um acontecimento e/ou pessoa, e transforma em questionamentos sobre quem viabilizou tanta vitrine e que permitiu algo assim explodir, sobre o por que esse erro existiu e, acima de tudo, garanta que você não estará na lista dos próximos erros que não deveriam existir.


 

Evolução

Vamos falar de evolução... Você tem preconceitos. Aceita, evolui, muda e cresce... Viu? É o que deveria acontecer com todo mundo. Conteúdo antigo não faz o ser humano de hoje. O humano de hoje é julgado, criticado pela atitude de hoje, e quando se procura o centro do problema de uma atitude, o conteúdo antigo pode ajudar a entender uma linha de pensamento.

Mas se a pessoa já mudou para que encher as redes de todos fazendo linchamentos? Para!

Se alguém for 'santo', é melhor procurar fazer milagres aos necessitados e não trabalhar em mercado digital. Caça às bruxas é para uma sociedade que quer se autodestruir. Caça às bruxas feita por pessoas fingindo que não tem uma vassoura que voa no armário - que nunca mais abriu, é hipocrisia.

Toda a conversa atual sobre pautas sociais podem parecer complicadas, mas só precisamos parar para ouvir… Um Cocielo fazer o que faz, tem uma longa explicação que data de antes da nossa existência, e é esse histórico que precisamos estudar, para não permitir que aconteça com nenhum de nós e dentro do nosso trabalho.

Evoluiu? Ajuda o próximo a crescer! É isso que, no fim, faz uma sociedade existir.

Aprendizado

Hoje temos acesso às pautas que nunca foram amplamente divulgadas por dezenas de motivos que variam de repressão a vergonha e, finalmente, vivemos no auge da possibilidade real de aprendizado. Seja pelo Feminismo, pelo Racismo, pelas causas LGBTQ+, pelo Xenofobismo, Gordofobia, falta de Inclusão em Geral e tantos outros.

Vamos aprender o que fazemos e 'fazíamos' de errado, vamos corrigir, aprender o novo (ou melhor, o correto), aprender o que é defender pautas, o que é ter seu lugar e respeitar o próximo, o que é Lugar de Fala, por exemplo - algo que, pessoalmente, aprendi não tem um ano!

Trabalho

Isso tudo afeta nosso trabalho no digital, quando escolhemos um criador de conteúdo, ou uma empresa para trabalhar, ou um cliente para cuidar... Nosso mercado tem maior impacto do que qualquer comercial de TV da década de 80, nós somos a geração para corrigir um discurso falso, e temos que aceitar que o mundo não nos foi entregue como foi prometido. Vivemos profissionalmente para ajudar empresas, consumidores e pessoas (em seu modo de pensar) a mudarem o rumo próprio para uma vida melhor, para criar uma sociedade mais saudável.

Então, vamos sair desse ambiente ruim de procurar "sujeiras" na internet e apoiar muito mais quem faz, ou buscar apoio para fazer algo legal? Não é fácil evoluir, mas se todos olharem para frente, fica menos doloroso ou confuso.


Comece dentro da agência, discutam, pesquisem, contrate consultores que têm Lugar de Fala, faça ativações com criadores diferentes do 'infeliz' comum, ajude a criar protagonismo de pessoas que podem ajudar a desconstruir a nossa sociedade, atualmente doente, e assim fazemos nossa parte, nosso pouco, mas de gigante impacto, para campanhas melhores e para algo de que podemos nos orgulhar.

E para os creators, fica uma dica:

Julio Moraes é consultor, empresário, palestrante, professor e atua na área de estratégia e planejamento em Marketing & Digital. Há mais de 15 anos, ele conta com trabalhos em mais de 20 empresas nacionais e internacionais. Atualmente tem trabalhos com projetos ganhadores do EMMY® - The Television Academy

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