Depois dos caminhoneiros pararem, que tal uma greve de criativos?

Draper

Um assunto não saiu da mídia nas últimas semanas: a greve dos caminhoneiros. Também pudera, a paralisação da categoria já causou, além dos transtornos, prejuízo estimado que ultrapassa os R$ 26 bilhões (até o momento). E mesmo com o Brasil na boca do precipício, os brasileiros seguem produzindo o que fazem melhor: memes.

Dois deles foram bastante compartilhados pelos profissionais de agências. De forma lúdica, as artes falam da rotina atribulada dos criativos e que uma paralisação viria a calhar, afinal, esse mercado segue com manias destrutivas que parecem piorar ao longo dos anos.

"Vagas Arrombadas"

Há alguns meses, comentei sobre as "Vagas Arrombadas da Comunicação" e de como elas escondem (ou escancaram?) as mazelas da nossa área. Há pouco tempo também viralizou a nova versão da temida planilha sobre como é trabalhar nas agências pelo Brasil. Ótimo, pois mostra que há muito que mudar. Por outro lado, é terrível constatar que a primeira planilha, datada de 2016, pouco - ou nada - transformou nas atitudes dos gestores.

E daí, vale a reflexão sobre a tal ~greve dos criativos~. Mesmo que tudo não passe de uma brincadeira, será que nossa área não carece de união? Afinal, quantas planilhas das agências serão produzidas até, efetivamente, fazermos algo?

Pois as reclamações são recorrentes e estão claras nos memes citados acima: salários injustos, horários estapafúrdios, clientes sem limites, entre outros. Se em outros tempos o glamour de pedir pizza na agência às 21h fazia parte do charme da profissão, a geração atual não quer virar noites na agência sem, pelo menos, ser recompensada de maneira justa por isso.

Obviamente, os "protestos" dos criativos em nada se comparam (em matéria de importância) aos dos caminhoneiros. Como bem lembrou a Taisy Borraz no tuíte abaixo, se a publicidade parar, nada vai mudar.


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Mas... Por trás de todo criativo (a) saindo tarde de uma agência, há uma família esperando, há risco de ser assaltada ou estuprada, há horas extras não pagas, etc. Por trás de todo criativo pressionado pelos jobs, há mentes inquietas que sofrem com ansiedade, depressão, entre outras doenças da mente. E isso só para citar alguns exemplos.

Claro, não haverá greve de criativos. Mas já passou da hora de repensarmos tudo que nos incomoda na área e começarmos a mudar.

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