O curioso caso das "vagas arrombadas" da comunicação

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Há algumas semanas, a página Vagas Arrombadas faz sucesso no Facebook. Com prints de vagas de emprego com exigências absurdas, descrições estapafúrdias e salários irrisórios, a página faz rir e chorar (tudo ao mesmo tempo).

Mas algo chama a atenção: grande parte das vagas arrombadas é do mercado da comunicação. Por quê?

A dúvida é pertinente. Principalmente para as áreas de design e mídias sociais, a impressão que dá é que os contratantes não fazem ideia do que esses profissionais fazem (ou possuem uma ideia deturpada das atividades). De quem é a culpa?

Quando você chama um encanador para consertar o vazamento, ou liga para o eletricista para trocar a fiação do apartamento, você sabe que não conseguirá fazer aquilo sozinho. Salvo algumas exceções, a maioria de nós não faz ideia de como exercer tais atividades. Com a comunicação é diferente.

Todo mundo tem um perfil no Facebook. Todo mundo pode criar um logo com um aplicativo de celular. Todo mundo se comunica. Todo mundo acredita que pode comunicar profissionalmente. Ledo engano. E é aí que mora o perigo.

É preciso que o mercado e os profissionais nele inseridos tenham em mente duas coisas: é necessário esclarecer de uma vez por todas o que você, como profissional, faz de diferente. Por que contratá-lo para fazer algo em comunicação irá custar o valor que você pede? Qual a sua justificativa?

O outro ponto – este muito mais complicado – é não aceitar os trabalhos arrombados. Sim, o país está em crise, mas você não vê um encanador arrumando o vazamento em troca de divulgação, certo? Pois bem.

Se continuarmos com a postura de hoje, comunicólogos terão carreiras estressantes, com funções múltiplas e rotina cansativa. É hora de dar um basta. Ou seguirão nos arrombando.

Leonardo Araujo é jornalista especializado em marketing e mídias sociais. Trabalha com mídias sociais há quase 10 anos. Ao longo de sua carreira, atendeu empresas brasileiras, alemãs, americanas e chinesas, além de nomes famosos da política brasileira. Como repórter, cobriu festivais como Cannes e El Ojo. Entrevistou nomes históricos do mundo da propaganda, como David Droga, John Hegarty e Dan Wieden. Atualmente é Gerente de Conteúdo e Mídias Sociais do Grupo Image.

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