Fallen, Crepúsculo e o gênero dos romances sobrenaturais adolescentes

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Houve um momento no final dos anos 2000 no qual as adolescentes românticas (de qualquer idade) dominavam o consumo do mercado editorial. Várias sagas com mocinhas doces e desprotegidas, que se apaixonavam por homens proibidos e sobrenaturais, vendiam como água. E o primeiro deles, Crepúsculo, de E.L. James foi também o maior no cinema. Transformou as carreiras de Kristen Stewart e Robert Pattinson, que na época também protagonizavam um romance na vida real. Isso fazia com que as fãs suspirassem profundamente com as histórias românticas de cada um de seus filmes: Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer Partes 1 e 2.

É óbvio que Hollywood não iria deixar passar uma tendência “mina de ouro” como essa. E logo todos os possíveis “novos crepúsculos” chegaram às telas. Dezesseis Luas, Instrumentos Mortais: A Cidade dos Ossos e até Meu Namorado é um Zumbi. Só que aparentemente, assim como terminou o romance de Rob e Kristen, também houve um fim no interesse do público por esse tipo de filme. Todos tiveram bilheterias bem abaixo do esperado. No caso de Instrumentos Mortais, que já tinha até data para começar a rodar a sequência, ainda houve uma sobrevida na Netflix no formato de série, com outro elenco e outro nome, Shadowhunters. A segunda temporada vai estrear no início do ano que vem.

Só que um dos projetos, o sucesso editorial Fallen, acabou chegando atrasado nessa história. Com o direito dos quatro filmes tendo sido negociado com a Disney antes mesmo de se tornar um sucesso editorial, o filme acabou passando por várias mãos. A autora dos livros, Lauren Kate, inclusive chegou a pedir a ajuda dos fãs para que fizessem pressão para ele fosse produzido, finalizado e distribuído. A hashtag “queremosfallenofilme” se tornou extremamente popular.  Tanto esforço junto a seus fãs acabou rendendo resultados. O filme foi produzido, numa adaptação extremamente correta e simpática. Mas o drama de Fallen ainda continua na distribuição. Ele já foi lançado nos cinemas das Filipinas e em alguns outros países da Ásia, e esta semana estreou no Brasil.

O país é um excelente mercado editorial de Fallen. Tem fãs bem participativos e apaixonados. Tanto que a autora e a atriz principal, Addison Tomlin, estiveram aqui na Comic Con, participaram de pré-estreias com fãs e ainda conversaram com a imprensa. Na ocasião perguntei a Lauren Kate se já havia uma perspectiva de estreia nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo e nos principais países da Europa. Ela deu voltas e voltas e não respondeu. Ou seja, a saga (e o drama) de Fallen ainda continua.

Para quem não conhece, Fallen conta a história de Luce, que após ser responsabilizada pela morte de um rapaz, é mandada para o reformatório Sword & Cross. Lá ela se aproxima de Daniel Grigori (Jeremy Irvine), sem saber que ele é um anjo apaixonado por ela há milênios. Só que ao mesmo tempo, ela não consegue se manter afastada de Cam Briel (Harrison Gilbertson), que também é um anjo (mas aparentemente do lado negro) que também a deseja. Em Sword & Cross, Luce está Isolada do mundo exterior e assombrada por estranhas visões, mas ela começa aos poucos a desvendar os segredos de seu passado, descobrir a verdadeira identidade dos anjos caídos, bem como o amor que nutriram por ela ao longo de séculos. E, é claro, terá que fazer uma escolha. 

Ou seja, para o público das adolescentes românticas (de qualquer idade) é um prato cheio. Resta saber se elas continuam interessadas. De qualquer maneira, são surpreendentes a força e a perseverança dos fãs de Fallen. Quem sabe eles não conseguem reverter o que parece quase perdido?

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