Por que os remakes despertam o ódio do público?

Eliane Munhoz

A nossa memória afetiva pode muitas vezes nos “pregar peças”. Doces, séries, filmes que adorávamos quando criança ou adolescentes, hoje em dia podem não ter mais o mesmo impacto. Também com o consumo de tantos outros doces, séries e filmes, nosso gosto vai se refinando, se tornando mais seletivo. E com isso, temos que rever, provar novamente. Há algumas semanas, fiz aqui um texto sobre o número de refilmagens, reboots, sequências que o cinema está programando para os próximos anos. Mas o que realmente me impressiona vem sendo a reticência, algumas vezes até o ódio, que estes remakes vêm despertando no público.

A versão de 2016 de Caça-Fantasmas sofreu todo o tipo de perseguição politicamente incorreta. Havia aqueles que não suportavam a ideia de seu filme preferido da infância ser refeito. Como se o antigo fosse ser banido da face da Terra porque uma refilmagem havia sido aprovada. O “Não vi e não gostei” se tornou uma constante entre determinados grupos nas redes sociais. Isso sem mencionar o machismo sempre presente (e latente) que continua a ser surpreendentemente visto no século 21. Como fazer um filme com mulheres? Parecia que ver mulheres naqueles macacões poderia cegar um pobre homem que fosse assistir de forma meio desavisada. Esse grupo parecia não perceber que uma coisa não elimina outra, que uma nova geração não tem o vício da comparação, e que, sim, muita gente gostou do filme.

Agora, a “bola da vez”, já que estamos em tempo de olimpíadas, é Ben Hur. Vi algumas críticas, até do todo poderoso The Hollywood Reporter, que começava com a pergunta: Por que fazer um novo Ben-Hur? Minha resposta vem com uma nova pergunta: Por que não? Olhe em volta e pergunte quem assistiu ao filme de 1959, que ganhou 11 Oscars. Quase ninguém, certo? Ouvi de amigos que não se deve mexer com “filmes definitivos”. Mas será que essas mesmas pessoas reviram aquele Ben-Hur recentemente? Eu vi as 3 horas e meia novamente. E devo dizer que a linguagem envelheceu, o estilo de atuação não consegue reter a atenção de quem tem 30 anos hoje. O filme é um clássico sim, e deve ser conhecido, mas é um produto de sua época. A memória afetiva pode não proporcionar um julgamento justo.

O Ben-Hur de 2016 não é um filme para ganhar 11 Oscars. Longe disso. Mas é um entretenimento popular e correto, que tem uma mensagem positiva. Até positiva demais no meu ponto de vista, mas que condiz com o momento atual.

Várias outras produções inspiradas em outros filmes vêm por aí. Só para falar dos anúncios mais recentes estão a versão feminina de Onze Homens e um Segredo, com Sandra Bullock e Cate Blanchett, e o novo Nasce uma Estrela, com Bradley Cooper e Lady Gaga. Quando postei essas notícias no Blog de Hollywood, recebi algumas surpreendentes mensagens de desprezo. “Vão estragar”, “Lady Gaga vai acabar com essa história presente em filmes tão lindos”. É, me lembro de ter lido que Barbra Streisand enfrentou o mesmo preconceito lá nos anos 70. E quarenta anos depois, nada mudou! Pena!

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