Os próximos passos do IAB Brasil sob nova gestão

IAB
Cristiano Nobrega, presidente do IAB Brasil

Quando o mercado digital era apenas um embrião do que hoje se tornou, mais precisamente no ano de 1998, nasceu a Associação de Mídia Interativa (AMI). O intuito, evidentemente, era educar e preparar as agências, anunciantes e veículos para o futuro: um caminho sem volta rumo à comunicação na era da tecnologia e a convergências das mídias.

Mais tarde, a partir de 2006, a entidade passou a fazer parte da mais importante rede de associações do mundo digital, o Interactive Advertising Bureau, ganhando o nome de IAB Brasil. Após quase 20 anos e tantas mudanças no mercado, que hoje é muito maior, mais complexo e dinâmico, a instituição quer se tornar ainda mais relevante no processo de evolução do meio no Brasil.

Para tornar isso possível, o bastão está nas mãos do novo presidente da entidade, Cristiano Nobrega, CEO da Tail, que assumiu o comando da associação em janeiro deste ano. Na entrevista abaixo, você confere quais são os principais desafios, oportunidades e perspectivas do IAB Brasil para os próximos anos sob esta nova gestão:

Como as suas expertises e trajetória profissional poderão contribuir com a evolução do IAB?

Tenho um histórico de muitos anos no mercado digital. Iniciei a minha carreira em 1996. Tive a oportunidade de trabalhar em diversos projetos e quando o segmento ainda era incipiente. Foi também uma oportunidade de ver de perto como tudo se formou, desde a área de digital signage até os veículos. Em 2000, no delicado momento da bolha da internet, lancei uma startup que depois foi adquirida pelo grupo RBS. Em 2012 lancei a Tail, empresa que hoje é protagonista em dados para digital mídia. Através dela, tenho envolvimento com todos os players da cadeia de valor. Também passei a me envolver mais com as iniciativas do IAB, incluindo o AdTech. Em 2015 fui convidado para participar do board, onde pude ficar mais próximo da diretoria e desenvolver diversos temas.

O que já deu para fazer à frente da entidade neste inicio de ano?

A agenda do IAB é dinâmica e está em constante transformação. Estamos neste momento definindo as prioridades de 2017. Vamos trabalhar muito com educação e pesquisa para o mercado, incluindo a nossa área de eventos e treinamento. Estamos também buscando incluir a certificação de nossos cursos para capacitar ainda mais os profissionais e fazê-los entender e enfrentar esse complexo ecossistema do mercado digital. O que tem de mais concreto em curso neste momento é o reforço de nossa agenda de relações governamentais. Diferente de outros anos, teremos um planejamento para atuarmos próximos aos legisladores e influenciadores de regulação setorial que possam impactar o setor. Contratamos uma assessoria para nos ajudar neste processo, pois precisamos ter um papel relevante na defesa dos interesses. Além disso, está em curso um trabalho de planejamento estratégico para identificar as frentes interessantes para o IAB em curto e longo prazo, assim como os movimentos que precisaremos fazer. Nossa missão é fomentar o mercado e fazer com que o bolo do digital seja cada vez maior.

E quais são as mudanças já realizadas na estrutura do conselho nesta nova gestão?

A nova estrutura do conselho reunirá agências, anunciantes, veículos e prestadores de serviços. Esta é uma forma de trazer interesses diversos para a mesa e discutir transparência. É um novo olhar sobre governança, e que também inclui a aproximação de diretoria e conselho para a tomada mais rápida e assertiva de decisão. O IAB é um espaço único com relação às outras entidades, porque agrega todos os elementos da cadeia de valor. Fizemos uma revisão estratégica. Agora, por exemplo, estreitamos a relação entre os conselhos e os comitês. Assim, cada dupla de conselheiros é responsável por um grupo de comitês. Isso também facilita as conversas e reforça a transparência nas relações com os associados.

Como o IAB pretende trabalhar a comunicação de suas iniciativas?

Dentro da visão de como ser relevante para o mercado e ter uma agenda positiva, naturalmente essa relevância vem também na medida em que o IAB saiba como comunicar as suas iniciativas para o mercado.  Todo plano de comunicação faz parte de um planejamento até mais tático, do dia a dia, e estamos dando uma atenção ainda maior para essa questão em todas as frentes. Estamos ainda em um momento de planejamento. O desdobramento natural de um trabalho estratégico como esse que estamos fazendo vai culminar em um plano de comunicação a altura do que o IAB pretende para os próximos meses e anos.  

Qual é a avaliação que você faz do mercado digital brasileiro no momento?

Vamos apresentar alguns números em março e não podemos adiantar ainda. Mas, em linhas gerais, seguimos confiantes no crescimento do mercado em dois dígitos, como nos últimos anos. Esse avanço tem diversos atrativos, desde a diversidade de opções para se investir até mesmo a eficiência com que se pode comprovar métricas, além de outras vantagens do meio digital com relação a outros meios mais tradicionais. De maneira geral, temos uma boa perspectiva para os próximos anos.

Como estamos caminhando digitalmente com relação aos países mais desenvolvidos do mundo?

Este é o grande desafio para o Brasil. Muitas plataformas são globais, então tudo que se pode fazer lá fora, também se pode fazer aqui. Mas a questão passa pelo anunciante, pelo decisor local. Ele é quem precisa estar aculturado e ter o ímpeto de fazer coisas novas. Em nosso país há elementos que estimulam e outros que inibem o mercado digital. Nós, como associação, precisamos identificar todos eles para fazer com que esses decisores continuem atuando da maneira mais madura possível. Se por um lado estamos enfrentando um cenário macroeconômico ruim, por outro, o ambiente digital traz alternativas semelhantes as que já existem em mercados mais maduros. As diferenças sobre o que é possível fazer lá fora e aqui hoje são mínimas. Um exemplo é a mídia programática, onde já temos um mercado quase tão maduro quanto lá fora. Então, novamente, o papel do IAB é promover educação, capacitação de mercado e certificação.

Muita gente diz que não existe mais esse papo de on e off e que tudo é integrado. É apenas um discurso ou na prática quem diz isso tem razão?

Tem razão. Em breve só teremos a TV digital, por exemplo. Você pode pensar que daqui a pouco a TV terá que ser considerada no bolo digital e não mais no bolo de TV. Então imagina o nível de discussão que teremos nos próximos anos. Acho que é um caminho natural e inevitável e todas as mídias estão convergindo para o digital. O IAB terá um papel essencial e preponderante para a formação de mercado e a criação de alternativa para os anunciantes. Não é algo distante da realidade. É um caminho sem volta e estamos cada vez mais vivendo nesta inexistência de fronteira entre o on e o off. No final, é lógico que vai existir certo trauma para quem não está preparado para a transição, como acontece em qualquer mercado. Acho que tudo isso vai criar um impacto grande na maneira de nos relacionarmos com as ofertas, com os produtos e com a comunicação. E na contramão, vai gerar também uma maneira diferente de os anunciantes, as agências e os veículos se relacionarem com as suas audiências. Desde já, chegamos a um ponto em que eu não vejo mais fronteiras entre o on e o off.

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