Por que o Porta dos Fundos atrai tantas marcas? Com a palavra, a CEO do canal

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Tereza Gonzalez e os demais sócios do Porta

A comédia tem o poder do engajamento, mas uma piada não é nada sem contexto. Isso vale também para a comunicação entre marcas e pessoas, e o Porta dos Fundos, que soma mais de 13 milhões de inscritos, já traz essa conexão com os anunciantes desde o seu inicio. O canal, considerado pela Zefr (empresa especializada em análise de conteúdo digital) como o mais influente do mundo, tem um drive especial para amarrar produtos e serviços dentro de seus esquetes. Quem não se lembra do case de Spoleto, o grande ponto de partida para essa fábrica de product placement que se tornou o coletivo de humor? Para entender esse fenômeno do diálogo entre marcas e conteúdo, trocamos uma ideia com Tereza Gonzalez, CEO do Porta dos Fundos.

Qual o segredo do Porta dos Fundos para atrair tantas marcas para suas histórias?

Acredito que nossa autenticidade. O Porta não nasceu com uma proposta comercial. Não nasceu buscando "milhões de views para captar anunciantes". O Porta foi criado para fazer o humor que a gente acredita e, assim, divertir o público. As marcas entenderam que se associar a isso é um negócio muito interessante.

Como costuma ser a relação com os anunciantes e quais são os limites de interferência das empresas no produto final? O roteiro é escrito a quatro mãos?

Sempre em parceria. Por um lado, temos total liberdade na criação dos roteiros. Por outro, temos um diálogo bem franco e aberto sobre os briefings e as expectativas. Cada cliente é tratado aqui dentro como um projeto especial. Cada marca e cada produto são tratados de forma diferente.

O que é uma boa estratégia de product placement na visão do Porta dos Fundos? Como ser sútil e ao mesmo tempo engajar?

Nossa principal característica é fazer com que a marca esteja de fato inserida no contexto do vídeo. No dia a dia, nós falamos nomes de marcas e não escondemos rótulos. A naturalidade com que o Porta trata as inserções faz com que, às vezes, você nem consiga reconhecer quando um conteúdo é comercial ou não.

Às vezes o vídeo faz uma espécie de autocrítica bem-humorada sobre algum aspecto da marca. Como os anunciantes veem isso?

A razão principal de uma marca querer se associar ao Porta dos Fundos é o humor - o "fazer rir" que é tão valorizado pelo público. Então, quando as marcas entendem que a piada é quem manda, entendem também que a autocrítica precisa ser contemplada. Muitas vezes, também, isso vem do próprio briefing do cliente.

Toda essa avalanche foi puxada pelo case Spoleto?

Sim, o case Spoleto foi muito importante. O primeiro vídeo (Spoleto) não foi comercial, foi um roteiro completamente espontâneo. O que o torna um caso clássico entre o nosso humor e a visão rápida de um cliente detectar oportunidades. A partir daí outras grandes marcas nos procuraram e abrimos nosso conteúdo para outras parcerias. Entre elas Coca-Cola, Ford, Asus, Listerine...

Por que vocês fazem tantos vídeos retratando o mundo dos publicitários?

Porque esse mundo é engraçadíssimo! 

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