Conheça a história do único jornal do Brasil dedicado às crianças

joca

Infelizmente, não é nova a notícia que a leitura no Brasil tem um índice baixo. Principalmente, se levarmos em consideração o jornal impresso, que vê decair o número de assinantes ano a ano. Analisando esse cenário, a Editora Magia de Ler teve uma ideia para formar novos leitores e, assim, aumentar a taxa de leitura como um todo. Criar um jornal só para crianças, que auxiliasse em sua formação cultural e no aprendizado em sala de aula.

A primeira publicação do Joca ocorreu em novembro de 2011. Em um projeto inspirado nas publicações do gênero da Europa – especialmente da França – ele foi criado com o intuito de suprir uma deficiência no mercado editorial brasileiro: a inexistência de um jornal exclusivamente para crianças. Tratando-se, portanto, de um incentivo para a formação de leitores no país. De 2011 até agora, a ideia surtiu efeito e a publicação cresce propocionamente com a vontade de ler dos com menos idade.

Atualmente, O Joca já foi adotado por 50 escolas em todo Brasil e está presente na versão impressa e online, sempre valorizando a participação e interatividade com o público infantil.  Em sua versão física, lançada quinzenalmente, são trazidas notícias, reportagens, entrevistas e curiosidades sobre o universo dos alunos. O material está repleto de fotos e infográficos, que facilitam o entendimento das matérias. Já na plataforma online, é apresentado um conteúdo atualizado diariamente, além de uma área exclusiva para professores, com vídeos tutoriais, planos de aula e um fórum de discussões para docentes de todo o país conversarem entre si. Ao mesmo tempo, as crianças possuem ferramentas de interação com o Joca, como a possibilidade de criar seus próprios jornais, enviar comentários e sugerir pautas, fazendo com que todos participem do processo de criação do veículo. Diferencial que o faz ser uma das ferramentas de ensino prediletas na escola. 

Que o Joca é bem aceito na sala de aula era perceptível, porém seus idealizadores queriam precisar corretamente sua taxa de aderência. Pensando nisso, este ano, eles convidaram uma das principais universidades francesas, a HEC Paris, em parceria com a Planète d’Entrepreneurs, para fazer uma avaliação veículo, comparando leitores e não leitores. Um dos grandes resultados é de que mais de 2/3 deles preferem as aulas com o Joca, e mais de 85% adoram ler o jornal, pois o acham interessante e divertido.  

Alguns números e perfil de seu público também são explicados neste gráfico abaixo.

Analisando o infográfico é possível perceber que as taxas de aceitação e respaldo do veículo são positivas, mesmo para uma publicação que como seus leitores, é tão jovem. Diante desse curto tempo de duração e dos altos índices alcançados, a equipe do Adnews convidou Bruno Rodriguez, gerente executivo da Magia de Ler, para contar um pouco mais desta experiência, desde a criação até a execução e interação.

Confira abaixo os melhores momentos deste bate-papo:

A Magia de Ler é destinada ao infanto-juvenil, no entanto ela se destaca ao criar seu próprio jornal para esse público. Como surgiu a ideia?

A ideia nasceu em 2011 da oportunidade de oferecer um conteúdo inexistente no Brasil para o público infanto-juvenil, um conteúdo informativo e de qualidade. Enquanto em países europeus, asiáticos e nos Estados Unidos, os jornais infantis contam com milhões de assinantes, no Brasil apenas existiam cadernos-suplementos.

O Jornal tem inspiração em modelos franceses. Você poderia nos explicar melhor como são os exemplos europeus?

A França conta com mais de 10 jornais infantis, inclusive com alguns tendo publicações diárias. Lá, há uma característica cultural muito forte no incentivo à leitura que é estimulada desde cedo pelos pais. Diferentemente do Brasil e EUA, por exemplo, em que é necessária uma participação maior da escola.

Nestes 4 anos de existência, como você percebe a recepção?

No início, houve uma resistência natural, tanto dos pais, quanto das escolas. Primeiro, acreditamos que ocorre por uma questão cultural.  Há um certo receio pelo novo. Para as escolas, a dificuldade foi a de conseguir convencê-los de que o Joca deve ser trabalhado na rotina escolar e não somente como uma leitura extracurricular. Foi dessa forma que identificamos a necessidade de capacitar os professores e oferecer-lhes material de apoio para que eles comprem a ideia e passem a utilizar o Joca de maneira mais efetiva.

Houve um certo receio dos pequenos leitores?

As crianças se identificaram imediatamente com o Joca. Isso se deve a algumas razões: 1) o fato de elas terem um jornal feito exclusivamente para elas, em uma linguagem em que elas conseguem compreender as notícias; 2) elas desenvolvem um senso de responsabilidade e pertencimento muito grandes, uma vez que o jornal é delas; 3) elas se sentem empoderadas, pois agora têm capacidade de discutir e entender os acontecimentos reais, desde questões políticas, econômicas, até curiosidades e fatos do universo delas.

O projeto também tem uma parceria muito com as escolas, como é feita essa colaboração?

Hoje, nossa principal porta de entrada aos nossos leitores é por meio das escolas. Isso porque percebemos um grande potencial pedagógico na leitura do jornal. Nossos parceiros, de modo geral, adotam o Joca obrigatoriamente a partir da inclusão da assinatura na lista de materiais. Nossa atuação também contempla a formação dos professores e o oferecimento de material de suporte a eles, incluindo avaliações, sugestões de atividades, entre outros. O uso que cada escola dá ao Joca é bastante singular, mas percebemos que, em comum, ele é utilizado de forma multidisciplinar e buscando o envolvimento dos familiares.

O Joca aposta muito na interatividade, com as crianças sugerindo diversas coisas, como é a resposta de leitores conhecidos por serem tão sinceros?

A participação das crianças é fundamental na construção do Joca, tanto na sua versão impressa, quanto no conteúdo online. Temos, por exemplo, o Canal Aberto que é um questionamento feito pelo leitor e que recebe respostas de outros leitores. No final, temos uma especialista (psicóloga, pedagoga, etc.) que apresenta uma resposta “técnica”. Dar voz às crianças é essencial. Além do Canal Aberto, elas comentam as notícias no site, participam de enquetes, sugerem pautas, entrevistam ou são entrevistadas (Repórter-mirim).

Qual o assunto que mais tem despertado a atenção deles?

As crianças se interessam muito por tecnologia e ciências. Na seção “Cotidiano”, há um item que chamamos de “Maluquices”. Tratam-se de notícias curiosas, mas reais, e que dificilmente elas encontram nas mídias convencionais. Essas estão entre as preferidas deles, também.

Para finalizar, quais os planos futuros do veículo e da editora organização?

Os planos e objetivos do Joca e da Magia de Ler, acabam se integrando bastante, uma vez que o jornal é o carro-chefe da organização. Para o Joca, certamente queremos chegar a cada vez mais leitores no Brasil e fora dele. Queremos ampliar nossa atuação não só por meio das escolas, como pelos leitores individuais, sem um vínculo necessário com as instituições de ensino. Além disso, temos um grande sonho de estar presentes em mais escolas públicas, onde o impacto é gigantesco.

 

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