Música clássica no Metrô mostra quão desafinado é o Estado

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Existe uma cidade no mundo que respira música clássica. Conhecida por ser o local de nascimento de Strauss e Franz Schubert, essa capital é famosa pelas suas composições eruditas. Com caixas de som nas ruas que amplificam as notas de óperas, esse munícipio, para os desavisados que pegaram Metrô nos últimos dias, pode até parecer São Paulo, mas é Viana, capital da Áustria.

Conhecido por ser a terra de Gilberto Gil, Zeca Pagodinho e MC Kevinho, o Brasil nunca foi o território das batutas, mas os dirigentes parece que confundiram Viena com Vergueiro e instalaram nos últimos dias um sistema de som que toca música clássica nos vagões do Metrô e da CPTM de São Paulo.

Sem anúncio prévio ou divulgação, a instituição começou neste mês, (10), a veicular canções eruditas em som ambiente de algumas linhas da capital paulista. Em um volume considerado elevado, a medida que custa R$ 40 mil aos cofres públicos mensalmente, não agradou os usuários e algumas pessoas têm comentado o desafino do Estado com a cultura nacional.

Com grande repercussão nas redes sociais, a novidade enfureceu alguns participantes de redes sociais. Enquanto poucas pessoas curtiram as medidas, a maioria comenta sobre o descompasso e a intrusividade da propaganda política orquestrada pelo Governo Federal.

Confira abaixo algumas postagens que demonstram a reação da população: 

   

Propaganda política intrusiva

Diante de uma mudança da linguagem publicitária e da organização social, a publicidade em geral tem abaixado o tom imperativo e se aperfeiçoado com comunicações que geram ligação emocional. Apoiado em pilares representativos, o mercado de marketing tem se preocupado em ser mais inclusivo do que invasivo.

Por isso, ações que obrigam o público a ser impactado por conteúdos não são vistas com bons olhos e a horizontalizadade das redes sociais amplificam a reação negativa à medidas intrusivas. Segundo o Helio Leite, diretor executivo da Black Door, produtora de vídeo do Grupo REF, é essencial se “preocupar com o volume e frequência, esses são os principais cuidados. O primeiro porque você pode incomodar pela poluição sonora e o segundo porque cada ouvido tem uma sensibilidade de frequência diferente”.

Em concordância com o executivo, Rodrigo Tigre, CEO da RedMas, empresa de soluções de publicidade digital, afirma que “O principal ponto que deve ser levado em consideração em qualquer tipo de publicidade, inclusive no áudio, é conhecer muito bem o público que você quer atingir. Entender o que ele gosta, com qual tipo de conteúdo ele interage e formato de publicidade que costuma aceitar melhor”.

Unânimes, os especialistas concordam que no caso do Metrô “faltou justamente esse tipo de análise, já que nitidamente esse não é o tipo de música que a maioria das pessoas que utilizam o meio de transporte gosta de ouvir. O mínimo que poderia ser feito é uma pesquisa com os usuários para definir os tipos de música que mais gostam e mesclar alguns gêneros que sejam mais neutros, como pop nacional/internacional ou MBP por exemplo” indica Tigre.

Em complemento, Hélio aponta que “Quando falamos em um ambiente público essa inserção acaba sendo ainda mais delicada. Para uma boa elaboração sonora é preciso fazer um estudo profundo de marca, proposta e das diretrizes. A partir daí, analisar as tonalidades sonoras, que naturalmente levam aos sentimentos, para evitar que o uso do áudio aparente ser forçado “.

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