Paywall é a nova aposta para as revistas digitais da Abril

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Na manhã desta segunda-feira (23), Isabel Amorim, nova diretora de mercado da Abril Mídia, revelou os mais novos planos da gigante brasileira de comunicação para diversificar as receitas e monetizar ainda mais as suas operações. As informações foram divulgadas através de um encontro com um seleto grupo de jornalistas do trade publicitário, na sede da empresa, em São Paulo.

Com quase 30 anos atuando na área de mídia, Isabel chegou ao grupo em agosto do ano passado como diretora de estratégia e produto, onde era responsável pelo desenvolvimento das estratégias digitais, parcerias e novos projetos. Com a promoção de Alecsandra Zapparoli para publisher, assumiu também a área de publicidade da Abril, criando o novo cargo.

Para obter êxito em sua mais nova jornada, a profissional traz na bagagem a experiência de ter dirigido por doze anos o The New York Times Syndicate na América Latina, no México e Caribe. Em 2013, também foi responsável pelo lançamento da versão digital do jornal El Pais no Brasil, acumulando a responsabilidade na área de direitos autorais para o Grupo Prisa. “Faz parte da minha missão construir ideias e projetos junto com o mercado e pensar em parcerias e soluções”, afirmou.  

O primeiro tópico do encontro abordou um dos maiores desafios da empresa de comunicação para o ano 2017: o lançamento de um sistema de paywall poroso para as versões digitais de suas revistas. O novo formato deve estrear em março e começar com Quatro Rodas e Superinteressante. Embora exista a expectativa de que a estratégia represente um incremento importante de receita, a Abril ainda não definiu os valores que serão cobrados e nem a quantidade de notícias que poderão ser lidas de graça pelos leitores.

De acordo com Isabel, a iniciativa é proveniente de um minucioso estudo que envolveu as áreas de audiência, TI, editorial e assinaturas. Além de mapear tudo que deu certo e errado em todo o mercado mundial, as equipes também utilizaram tecnologia e big data para identificar os interesses dos leitores de cada um dos títulos e seu comportamento de navegação. “Temos atualmente 69 milhões de leitores digitais e queremos continuar com um público grande, mas a audiência só pelo CPM (custo por mil) já não se mostra como uma curva de futuro muito interessante. Precisamos monetizar essa audiência”, explica. 

Mesmo conhecendo os obstáculos culturais que terá que enfrentar, já que o público brasileiro não está habituado a pagar para ler conteúdo, Isabel acredita não somente na eficácia do modelo, como também em seu potencial de gerar inclusive novos formatos publicitários. “Uma marca pode patrocinar a assinatura do leitor, por exemplo, entre diversas outras possibilidades”.

Outra preocupação que deve estar no radar da Abril é alinhar sua estratégia de preços e ações das assinaturas com o serviço GoRead, uma espécie de Netflix das revistas e que dá acesso a leitura dos títulos através de um preço único mensal.

Além dos esforços com a estratégia de paywall, Isabel também garantiu que em 2017 a Abril manterá seus investimentos nas áreas de e-commerce e clube de assinaturas com o GoBox, o fortalecimento das estratégias de eventos de suas revistas e o aprimoramento do Abril Branded Content  (ABC), que desenvolve projetos especiais de conteúdo para clientes.

A novidade é o Estúdio Abril, um espaço dentro da editora com estrutura para a produção de eventos, entrevistas, webséries e os mais diversos conteúdos que, segundo a nova diretora de mercado, farão dobrar o volume de vídeos criados pela empresa em 2017. 

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