"Quando existe voz" quebra ciclo do silêncio ao redor da violência doméstica

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Uma em cada três mulheres no mundo sofre violência conjugalEnquanto a violência doméstica entre brancas caiu nos últimos anos, a vivida por negras aumentou mais de 50%. Ter consciência dos números é primordial em uma sociedade como a brasileira, que apesar de ter leis protetivas relativas à gênero, muito a frente de diversos países, padece em números de denúncia e em infraestrutura de suporte às vítimas. Em parte por falta de informação (dos tipos de violência possíveis, a quem recorrer, por quais meios, por exemplo) e em parte pelo peso que é carregar uma violência nesta sociedade machista e patriarcal que tende a culpabilizar e silenciar as vítimas. Isso sem falar no tabu que é sofrer violência de quem deveria só amar.

Se o sistema se cala neste enredo e nós somos partes dele, é preciso que esse ciclo de culpabilização e silenciamento uma hora acabe. Dar visibilidade ao tema foi a forma encontrada pelo Instituto Avon, em parceria com a ONU Mulheres, para quebrar este ciclo e colocar fim ao silêncio. Por meio da websérie “Quando Existe Voz” o projeto dá voz à histórias reais por meio de depoimentos e músicas. O objetivo é usar o poder da música para empoderar e alertar todas as mulheres sobre os diferentes tipos de violência. Este lançamento faz parte da programação oficial dos 16 dias de ativismo, movimento global pelo fim da violência contra as mulheres.

A produção feita e dirigida por  Bárbara Magri e Laura Zamboni conta com 5 episódios retratando mulheres que viveram e enfrentaram a violência e hoje são exemplos de superação de algum tipo de violência. Cada episódio trará um recorte sobre violência: moral, psicológica, sexual, física e patrimonial. Entre as personagens, estão Luiza Brunet, atriz e empresária, Bel Santos que é educadora social, a ativista Maria da Penha e conselheiras como Mariana Ganzarolli, da Rede Feminista de Juristas e Maria Sylvia Oliveira, do Instituto Geledés.

Por meio das conselheiras, os caminhos para que qualquer pessoa possa, de alguma forma, ajudar uma mulher a sair de uma situação de violência serão traçados.Além dos depoimentos, os episódios trazem uma trilha sonora especial e exclusiva para cada um dos temas abordados. As músicas são assinadas pelas irmãs Carol e Vitória Marcilio, duas jovens de Florianópolis, que estão ganhando a internet com respostas a músicas misóginas e machistas.

Daniela Grelin, gerente sênior do Instituto Avon destacou a importância deste tipo de ação: “O trabalho de enfrentamento à violência contra a mulher é algo recorrente, pois vivemos uma realidade que assola um número cada vez maior de mulheres. Por meio da música, buscamos um novo canal para conversar com todas essas mulheres. É um projeto que vem para completar todo o trabalho de articulação e apoio que o Instituto Avon já realiza com seus parceiros”.

Luiza Brunet, embaixadora do Instituto Avon desde 2012, é a protagonista do 1º episódio que já está no ar. Para Brunet as mulheres são agentes desta mudança: “Só nós mulheres podemos mudar a situação. Temos que nos unir para superar e para ajudar outras mulheres. Dois anos depois me sinto orgulhosa e, mesmo depois de ter me perdido na caminhada, posso dizer que agora me encontrei. A coragem é transformadora”. Confira aqui.

 

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