Novidades sobre o Google Assistant e o futuro da busca por voz

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O Google I/O é o local onde a gigante de serviços online e software revela a maioria dos seus projetos e lançamentos para os próximos meses. Mas antes de começar a falar sobre novidades apresentadas durante os últimos dois dias, vamos voltar um ano atrás.

Em 2017, Sundar Pichai, CEO do Google, havia anunciado que a empresa não era mais Mobile First, mas sim AI First. Ou seja, a inteligência artificial seria o principal pilar estratégico do negócio. E isso se concretizou no Google I/O 2018, já que todas as novidades apresentadas tinham uma dose significativa de inteligência artificial, com destaque para o Google Assistant. Está claro que a empresa tem como objetivo ser cada vez mais pessoal, influente e essencial no dia adia do usuário.

O Google Assistant, com sua nova funcionalidade de permitir ligações reais para serviços de atendimento, foi uma das novidades mais comentadas. Para agendar um horário no cabeleireiro, por exemplo, - de forma impressionante! - o assistente consegue conduzir as conversas por telefone com extrema naturalidade, realmente se passando por uma pessoa e concluindo a tarefa solicitada.

Essa opção pode parecer pouco funcional em um mundo no qual esperamos cada vez mais fazer agendamentos por meio de apps ou sites. Entretanto, o próprio Google citou o resultado de uma pesquisa que detectou que mais de 60% dos negócios nos Estados Unidos não contam com um sistema de agendamento online. Não temos esses dados para o Brasil, mas como normalmente estamos alguns anos atrás em termos de tecnologia, provavelmente essa fatia aqui é bem maior.

Além da capacidade de fazer ligações, o Google Assistant chegou repleto de outras funcionalidades, como a disponibilidade de novas opções de voz, conversa contínua (não será mais necessário falar ‘Hey, Google!” em cada interação) e a possibilidade de conseguir realizar múltiplas-ações, como criar um lembrete e fazer uma ligação ao mesmo tempo.

Também foi anunciado o lançamento dos Smart Displays, que são uma resposta do Google ao Echo Show, da Amazon. Esses dispositivos têm como objetivo trazer uma experiência mais visual para os assistentes que ficam em casa e que, atualmente, possuem um formato de speaker. Por exemplo, se o usuário busca por uma receita, o dispositivo pode abrir um vídeo no YouTube explicando todo o passo a passo de preparação. Com o assistente no formato de speaker, isso não era possível.

Todas essas novidades do Google Assistant estão alinhadas com algumas mudanças no comportamento das pessoas e como elas se relacionam com seus dispositivos. A ComScore estima que em 2020, 50% de todas as buscam serão realizadas por voz. Consequentemente, a forma como essas pessoas irão receber os resultados também deverá mudar. Essa transformação cria um novo desafio para a área de estratégia de marketing das marcas, que devem aprender como se tornar relevantes nesse segmento.

Quando o usuário faz uma busca por voz, ele é motivado pela conveniência e pela velocidade de resposta. Além disso, segundo o Google, 70% das buscas por voz utilizam linguagem natural e não palavras-chave, como é feito na busca digitada. Portanto, a resposta esperada não é uma lista de opções, como acontece quando fazemos uma pesquisa no site do Google. O grande desafio para os assistentes pessoais é justamente conhecer a fundo seus usuários e entender o contexto de cada solicitação.

O futuro ainda é incerto em relação ao papel dos assistentes pessoais e das buscas por voz na jornada de decisão, mas com o aumento da penetração dessas tecnologias, será possível identificar em quais situações as pessoas mais recorrem aos assistentes e, então, definir estratégias de marketing que consigam se adequar a este novo cenário, da forma mais relevante possível aos usuários.

Por André Pazera, coordenador de Planejamento da NewBlue,  empresa Full Service de projetos digitais.

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