Seleção Brasileira: a gigante acordou para o marketing?

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Na última segunda-feira (7), a CBF promoveu um evento em São Paulo especialmente para celebrar os 15 anos da conquista do pentacampeonato mundial. Além de alguns dos jogadores daquela Seleção histórica, como Lúcio, Gilberto Silva, Denilson, Vampeta e Cafu, aproximadamente 250 pessoas foram escolhidas a dedo, entre jornalistas, empresários e torcedores da “amarelinha” para acompanhar o lançamento de um documentário especial, com imagens inéditas de bastidores e depoimentos exclusivos sobre a trajetória do time campeão na Copa do Japão e Coréia do Sul. O encontro foi apoiado por diversas empresas, entre elas a Flix Media.  

A emocionante produção dá inicio a campanha “Torcida e Seleção. Gigantes pela própria natureza”, criada para ativar a marca da Seleção Brasileira até o ano de 2018, quando acontece a Copa do Mundo da Rússia. O trabalho de comunicação, criado em parceria com a Vividbrand, agência do Grupo Publicis, é um divisor de águas por um motivo simples: a entidade nunca teve uma campanha de marketing com o atual nível de planejamento e pensamento estratégico. “Pela primeira vez temos uma agência de propaganda. Além disso, o presidente Marco Polo teve a coragem de contratar uma equipe que realmente vem do mercado. Eu, por exemplo, já fui de Alpargata (Mizuno, Topper, Havaianas). Os outros diretores também vieram de grandes empresas”, afirma Gilberto Ratto, diretor de marketing da CBF, em bate papo exclusivo com o Adnews.

A ideia da campanha é conectar ainda mais os torcedores da Seleção Brasileira, mostrando que eles são tão importantes quanto cada jogador que representa o país quando está vestindo a camisa verde e amarela. “Quando o Brasil joga é a nossa natureza que está em jogo. Não sabemos onde termina o nosso amor pela pátria e começa o nosso amor pela bola”, explica Ratto.

Veja abaixo a campanha lançada em junho deste ano:

Além de explorar o ativo extremamente valioso que é a Seleção Brasileira como nunca antes aconteceu, o diretor de marketing também revelou que precisa reconectar o futebol brasileiro com os jovens da chamada “geração Playstation”, que muitas vezes preferem torcer por clubes europeus como Barcelona, Milan, Real Madrid, Manchester United, entre outros. “Não podemos deixar a torcida nos esquecer. A atual gestão acaba de fazer o museu. Temos mais de 400 troféus em exposição e outros mil que ainda nem foram usados. Não estamos inventando a roda, mas queremos surpreender. Você viu a cara das pessoas aqui quando entraram os campeões mundiais e a taça do mundo?”.

Nesta linha de alinhar o discurso da história vencedora da Seleção Brasileira, a CBF também pretende melhorar a sintonia de sua comunicação com o público mais jovem. Além de uma campanha digital para celebrar o aniversário do ouro olímpico inédito, que será veiculada ainda neste mês de agosto, a entidade aposta em diversas ações para engajar esse target. “Vamos trabalhar bastante nas redes sociais pra falar com os jovens através de uma linguagem diferente. Já estamos fazendo no Brasileirão, por exemplo, o iBrasileirão, que é um campeonato de games. Precisamos encontrar novas formas de tirar o jovem do sofá e levá-lo para o estádio”.  

Em primeira mão, Ratto também revelou que o potencial da marca Seleção Brasileira será trabalhado, pela primeira vez na história, com uma estratégia forte de licenciamento e produtos que começam a ser desenvolvidos a partir de outubro. A meta é chegar até a Copa do Mundo de 2018 com mais de mil produtos licenciados. “A Turma da Mônica tem mais de mil produtos, a Disney tem milhões, os clubes também têm milhares. E a Seleção ainda não tem. A criação desses produtos aproxima também o jovem, seja através da caneca, do minicraque, piscina, cadeira de praia, tudo”, argumenta Ratto.   

Por fim, o executivo também confidenciou um projeto chamado Torcida Brasil, uma plataforma gratuita de relacionamento com o torcedor brasileiro. Segundo ele, a ideia é melhorar o diálogo e aproximar o público da realidade e do dia a dia da Seleção.

Ao mesmo tempo em que é interessante ver finalmente uma gestão dar indícios de que vai explorar mercadologicamente um dos ativos mais valiosos do futebol mundial (muito além de patrocínio), é impossível não se perguntar o óbvio: como tudo isso nunca foi feito antes?

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