Artplan: 50 anos da maior agência com capital nacional do país

Rodolfo
Rodolfo Medina, presidente da agência (Divulgação)

O ano de 1967 presenciou o nascimento de figuras importantes para o rock: Kurt Cobain, Marcelo D2 e a Artplan nasceram justamente nessa data. Com trajetória particular, cada um desses ícones traçou sua história influenciado pela rebeldia e inovação. Criada por Roberto Medina, a agência que atingiu sua maioridade em 1985 sofreu uma grande transformação naquele ano que mudou sua vida e de muitas pessoas. Naquela data nascia a primeira edição do Rock in Rio, evento pensado por Medina.

Tido como o maior festival musical do mundo, o RiR pôs o Brasil no mapa. Com uma conta digna de gente grande, a Artplan chegava na fase adulta com uma responsabilidade que definiu o seu futuro e a ajudou a ser o que é hoje. Após 32 anos na estrada, a empresa é conhecida por ser uma das melhores agências para se trabalhar e a maior do Brasil mantida apenas com capital nacional.

Atualmente com clientes importantes como Amanco, Etna, Coca-Cola Brasil e Skyy, a Artplan continua sua história com o DNA da disrupção e afinada com o mundo de hoje. Para saber mais sobre os projetos tocados por ela, sua trajetória e as mudanças no segmento entrevistamos Rodolfo Medina, presidente da agência. Confira abaixo o bate-papo:

Você assumiu a presidência da Artplan em 2006, completando 11 anos agora em 2017. Quais os principais desafios que você enfrentou e superou nesse período? Como foi assumir essa responsabilidade de dar sequência ao trabalho que o Roberto Medina desenvolvia desde 1967? Quais ensinamentos dele você leva contigo no dia a dia do trabalho?

Desde muito cedo, respiro dentro de casa esse ar da comunicação. Sempre ouvia os projetos que meu pai desenvolvia, seus sonhos, ambições, desafios e, claro, os problemas. Nesse cenário, meu interesse pela área foi nascendo de forma natural e gradual.

Aos poucos, fui entrando nas empresas do Grupo. Primeiro pelo Rock in Rio, depois na Artplan na área de Novos Negócios, seguindo para o atendimento, até que em 2006 me tornei o presidente da agência.

É uma honra e uma grande responsabilidade dar continuidade a este legado iniciado há 50 anos e que ao longo da sua história tem crescido, cada vez mais, e conquistado mais espaço no mercado e na avaliação de seus clientes, sempre priorizando o profissionalismo, a ousadia, a ética e o respeito pelas pessoas, que sempre acompanharam minha trajetória familiar e profissional.

Cada dia, cada cliente, cada situação é um desafio diferente. Temos que ter um olhar atento e preparado a tudo que acontece ao nosso redor, nos trabalhos, na gestão interna, no mercado, na economia e nos consumidores. Não podemos ficar parados. Aqui na Artplan estamos sempre em movimento, desenvolvendo nossas ideias, novos modelos de negócios. Este é nosso desafio.

A atuação da Artplan em São Paulo teve um grande salto nos últimos anos, ganhando relevância no mercado paulista, principalmente por conta da chegada do Antonio Fadiga, em 2014, como sócio e CEO. Como foi esse movimento? Em que momento vocês perceberam que era preciso investir pela atuação na cidade?

O mercado de São Paulo é o maior do Brasil. Nós já tínhamos uma atuação na capital paulista, mas também tínhamos uma meta ousada para 2018 de estar entre as 10 agências mais desejadas do país e, para isso, voltamos nossas atenções ainda mais para nossa equipe de São Paulo. A chegada do Fadiga em 2014 como CEO do escritório paulista foi primordial para termos essa transformação, com novas ideias, modelos de negócios e uma prospecção muito forte. Mesmo em cenários econômicos não favoráveis, novas contas foram conquistadas, profissionais renomados chegaram, e com o investimento contínuo em gestão de pessoas, formaram-se pontos fundamentais para o crescimento do escritório.

Sobre os Thinking Partners que a Artplan divulgou junto ao novo posicionamento, o Hub. O que exatamente a agência espera desses profissionais e em qual momento eles irão entrar no processo?

Os Thinking Partners são um time de pessoas notórias e especialistas em diversas áreas de atuação que, agora, podem fazer parte do processo criativo da agência, de acordo com a demanda. Estes profissionais podem ser tanto de áreas específicas da comunicação, como branding, CRM ou UX, como também interlocutores de temas relevantes para os negócios dos clientes da agência. Entre os nomes que já temos confirmados estão profissionais em esportes, acessibilidade, design, consumo consciente, música, entretenimento, terceiro setor e área infantil. Assim podemos entrar mais no contexto de vida das pessoas, trazendo soluções de comunicação mais assertivas e reais para as marcas.

O mercado está em transição e vemos uma nova geração conquistando cada vez mais espaço nas agências, nos clientes e entre os consumidores. Como você avalia essa integração entre os mais jovens e os mais experientes? Como é para você como líder coordenar todo esse time?

As novas gerações que já estão ocupando o mercado em suas diferentes posições e as que virão são completamente diferentes e, ao mesmo tempo, complementares às demais. Temos que buscar inspiração neles e nos conectar às novidades, às inovações e às transformações que eles trazem. É uma relação em que todos saem ganhando. Acho que internamente essa conexão tem funcionado muito bem e, inclusive, refletido no clima da agência. Pelo terceiro ano, fomos muito bem avaliados pelos nossos colaboradores na pesquisa com o Great Place to Work, como uma das melhores agências para se trabalhar.

Um dos pontos pouco explorados pelas agências é a gestão de pessoas. A Artplan mantém, desde 2014, a Academia Corporativa. Como funciona essa Academia? Quais os resultados internos e também externos que ela tem apresentado? Com o novo posicionamento (Hub) ela também passa por alguma alteração?

Para ganharmos posições no mercado e a satisfação dos nossos clientes, temos de primeiro ter um olhar para dentro da agência, na capacitação de nossa equipe. Em 2014 criamos a Academia Corporativa para formação e gestão de líderes e novos gestores, contribuindo para o crescimento individual de cada um, da agência como um todo e para a manter o clima positivo na empresa. Tivemos parcerias com institutos reconhecidos, como Fundação Dom Cabral, FGV, Estácio e Ibmec, e workshops com institutos renomados internacionalmente, como Hyper Island e Disney Institute. Neste período, mais de 90 funcionários foram capacitados. Com o Hub, a Academia passa a atender todo o quadro de profissionais da agência.

Neste ano a Artplan completou 50 anos, e ela é, hoje, a maior agência com capital 100% nacional. Como se manter assim em um mercado massivamente predominado pelas agências internacionais? Vocês já receberam propostas de grupos internacionais? Em um momento em que se discute os rumos do mercado e da comunicação e de desafios econômicos, ser independente é uma vantagem?

Nesse momento, em que o mercado passa por tantas transformações e não existe um modelo definido, a agilidade passa a ser cada vez mais importante, então acredito que a vantagem competitiva é de quem é independente. Por exemplo, se, eventualmente, um novo projeto da agência não estiver funcionando, eu tenho autonomia e agilidade para repensar em outro. Eu não tenho problema em descontinuar algo que não esteja funcionando e tentar um novo caminho, em uma fase em que todos buscam respostas. Por outro lado, as multinacionais têm a capacidade de transformar algo em escalável para suas operações, que a gente não tem, e, nessa hora, eles terão mais vantagem competitiva. A gente sempre é procurado por algumas empresas internacionais, mas, até hoje, em 50 anos, não teve nenhuma proposta que gerasse valor, de fato, para nossos clientes e nossos profissionais.

Esse novo posicionamento já é uma movimentação em relação à entrada das consultorias no mercado publicitário?

No caso do Hub, ele deve ser encarado muito mais como gestão de relações, um modelo “conector de pontas”. O mercado está cada vez mais complexo e nós acreditamos que temos a responsabilidade de ser um parceiro estratégico para nossos clientes, auxiliando na relação com seus fornecedores ou até mesmo sugerindo novos parceiros, se necessário. Temos, também, com todo o suporte do nosso time de BI, o desafio de sermos receptores e acumuladores de dados, pois eles estão espalhados por muitos pontos de contatos diferentes e, dessa forma, nós conseguimos garantir que a mensagem principal seja entregue de maneira eficaz.

Um passo que demos em relação às movimentações das consultorias foi o lançamento do Key: uma célula de negócios focada em diagnósticos e soluções prototipadas para nossos clientes, no prazo máximo de 21 dias, e com remuneração 100% variável. Esse serviço é composto por um time multidisciplinar, como planejamento estratégico, tecnologia, design e negócios.  

Ainda sobre as consultorias, nos últimos anos acompanhamos diversas mudanças no mercado e nos meios tradicionais de comunicação, com novas tecnologias, novos canais de comunicação e novos formatos de consumir conteúdo. Como uma agência se mantém relevante e atualizada para clientes e consumidores em meio a tanta novidade?

Assim como o mercado em geral, as agências precisam estar sempre se capacitando e apresentando novas soluções para os clientes. As consultorias perceberam uma oportunidade de negócio, principalmente com o crescimento do digital, que é muito baseado em dados, e fizeram um movimento no mundo inteiro de se estruturar para atender também essa fatia de demanda do cliente. Eu, particularmente, acredito que as agências estão muito mais preparadas para o desafio de construção de marca, principalmente as que oferecem uma entrega completa apostando em mídias integradas. Além disso, existe a subjetividade da criação e a função de execução que privilegiam as agências nesse desafio.

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