Ana Paula Xongani fala sobre engajamento em evento da Socialbakers

palestra

Ana Paula Xongani ficou conhecida após postar um vídeo sincero relatando sobre sua filha ter sido excluída de brincadeiras infantis por ser negra. A influencer tem atualmente mais de 50 mil seguidores e fala, principalmente, sobre racismo e problemas sociais. Conhecida por saber engajar o público de uma forma leve, Ana foi palestrante no evento da Socialbakers, que ocorreu na última segunda-feira (20), Engage São Paulo e conversou com o Adnews sobre estratégias que ela mesma utiliza para engajar e cativar o público. Confira a entrevista na íntegra:

Como você procura engajar o público para os temas que você aborda?

Acho que essa foi uma mudança importante no meu canal. Resolvi falar sobre os assuntos que sempre tratei, de forma acolhedora, natural e em tom de conversa. Gosto de nomear minhas produções de forma curiosa para prender os espectadores, pois os meus títulos complementam ou reforçam o tema pautado. Acho que essas são algumas estratégias que utilizo para o engajamento. Sem contar que eu sempre converso com os xongs, minha comunidade de fãs, e ressalto a importância do dialogo e, é claro, sempre estimulo a interação. Gosto de ser comentadora de um debate, e não o centro.

Para você, qual a melhor maneira de abordar temas como o racismo velado?

A minha estratégia é falar sobre o tema de uma forma escancarada, mas de um modo didático, pois eu enfrento e convivo com o racismo há 30 anos. Tento impor falas inclusivas, para que as pessoas que estão ou não no mesmo estagio que eu, entendam e se aproximem do discurso. Eu acredito no dialogo e nas pessoas antirracistas para transformar esse mundo. E essa ajuda não precisa vir necessariamente de pessoas que sofrem com o tema, e sim que querem se transformar e ajudar o ambiente em que vivem. Eu falo de forma direta, uso palavras como “racismo” e “violência”, que são duras, mas dentro de um contexto muito didático e positivo. Além de falar de racismo, temos que ser positivos em algum nível, trazendo soluções para quem quer combater e lidar.



Você percebe o impacto da sua comunicação com o público? Se sim, como?

Percebo bastante. Conseguimos trazer bastante pessoas para o debate quando promovemos algo saudável, didático e positivo. Acho que a chave é a empatia, como por exemplo quando falo de intimidade e vejo que pessoas iguais ou diferentes a mim reagem e respondem. Isso se percebe nos encontros, comentários e olhares. Não só quando, mas COMO é compartilhado. Eu percebo esse impacto subjetivo.

Sem contar que hoje eu pauto muito marcas, agencias, mercados de modo geral para falar sobre a inserção dos negros e recebo muitos feedbacks positivos dizendo sobre transformações feitas pelas mesmas. Eu vejo esse impacto em diversas áreas e é isso que me mobiliza a fazer cada vez mais.

Qual a parte mais difícil de comunicar esses temas?

Acho que tem algo que precisamos falar sempre, até para humanizar as pessoas: falar sobre racismo não é divertido. Falamos disso porque dói e procuramos mudanças. Acessar as violências que o racismo nos expõe, não é divertido. As vezes quando acompanho histórias e palestras sobre o tema, fico emocionalmente abalada. Eu entendo que tenho um jeito didático de falar, mas entendo quem não consegue tratar com facilidade. Por mais que existam diversas técnicas e nossa entrega sobre o tema seja positiva, não é algo divertido.

Como dar visibilidade à essas discussões tão importantes mas, infelizmente, ainda banalizadas?


É importante termos aliados. Eu venho acreditando nisso. Principalmente para distribuir a informação, e não banalizá-la. O que eu tento conscientizar, sobre debates polêmicos e injustiças sociais, é que o racismo não é um debate apenas para negros, assim como o machismo não deve ser discutido apenas por mulheres, e sim pela sociedade. Achar que o racismo é debate apenas para negros é um erro. Muito pelo contrário. Quero que pessoas não familiarizadas tomem consciência, assim como homens para debater sobre machismo e que os debates explodam essas "bolhas". Primeiramente temos que buscar nosso lugar de fala e em seguida encontrar aliados que distribuem a informação conosco.

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