Atriz pornô se mata: o que a publicidade tem feito contra o bullying na web?

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O suicídio da estrela pornô August Ames repercutiu na internet. Encontrada sem vida na tarde desta terça-feira (05) com apenas 23 anos, a morte da atriz levanta diversas questões sobre sexualidade, indústria de filmes adultos e, principalmente, a proporção que ofensas disparadas nas redes sociais podem tomar. O bullying é um dos indícios mais fortes como gatilho que desencadeou a tragédia.

Para entender melhor a história, tudo começou quando a artista se negou a contracenar com um ator que fazia filmes gays. Acusada de homofóbica, Ames tweetou que não queria filmar por precauções de saúde. Porém, mesmo com as diversas explicações, a atriz teve sua vida social tão bombardeada de mensagens de ódio que a única solução para ela foi suicidar-se.

Veja abaixo a sua última postagem em que ela diz que não tinha com o que se desculpar:

Surpresa com o fato, a mesma internet que foi o gatilho do suicídio, se questiona sobre a gravidade de tantas ofensas postadas na web a cada minuto. Em conversas por todo o mundo, usuários se perguntam o que é possível fazer para diminuir o número de pessoas jovens que se matam por xingamentos ou perseguições que sofrem nas redes.

Para mostrar algumas formas que a publicidade encontrou para tratar desse tema, dar força aos que sofrem tal violência e apontar formas de diminuir essas tristes estatísticas, separamos cinco campanhas que abordam o assunto e indicam que ainda existe luz no fim do túnel.

Nova/sb – dossiê contra o suicídio

O Brasil é atualmente o oitavo país com mais suicídios do mundo. Falando especificamente no nosso país, o panorama tem se tornado mais grave nos últimos anos - o tema alcançou seu ápice de buscas no Google dos últimos cinco anos. Para piorar, se em algumas das nações com maior incidência de suicídio do mundo a taxa tem permanecido estável, por aqui ela cresce ano a ano.

Considerando estes números a Nova SB desenvolveu o Comunica Que Muda, projeto que criou um dossiê em forma de site para abordar o assunto. Por lá existem conteúdos sobre como abordar o assunto, caso você conheça alguém passando por uma situação difícil ou para quem se interessar no tema.

Mythic Bridge – Suicide

Jovens LGBT são quatro vezes mais suscetíveis a cometer suicídio que os heterossexuais. É com base nesse alarmante número que a ONG Mythic Bridge faz seu apelo no filme homônimo. Quem assiste ao vídeo acompanha durante um angustiante minuto o comportamento do jovem, que indica um final nada feliz.

O mérito do anúncio, além de tratar de um tema tão importante, fica por conta de seu desfecho. Vale acompanhar toda a peça para descobrir que iniciativas como a desta campanha podem mudar muitas outras histórias. Confira abaixo a produção:

Leo Burnet Tailor Made – Cartas de Suicídio

A Leo Burnett Tailor Made resolveu mostrar que dentro de todo suicida há alguém querendo viver na campanha publicitária do CVV, ONG que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há 55 anos.

A agência se baseou em cartas reais deixadas por pessoas que atentaram contra a própria vida. Os textos foram reescritos, utilizando as mesmas palavras, de forma com que os autores chegassem a conclusões diferentes. Veja um dos resultados desta alteração:

DDB&Tribal – Stop Hating Poland

Com a popularidade das redes sociais, o discurso de ódio ganhou força. O fato de a internet proporcionar um escudo para o opressor, que não está frente a frente do oprimido, aumenta o número de ofensas e acusações sérias na rede.

Uma campanha criada para a associação Stop Hating Poland retrata bem os efeitos desse comportamento. No filme assinado da Polônia, o jornalista polonês Jarosław Kuźniar, um dos mais odiados nas redes sociais do país, vai sofrendo transformações conforme as palavras de ódio comentadas na internet. Dê o play e veja o desfecho das transformações estampadas na cara do comunicador:

Criola – Racismo Virtual

"As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis", disse o escritor italiano Umberto Eco. A ideia parece um pouco radical demais, mas ao "passear" pela rede, talvez tenhamos que concordar em partes com o estudioso.

Para mostrar à sociedade o quão reais são os posts racistas na web, a ONG Criola, organização da sociedade civil que atua a partir da defesa e promoção de direitos das mulheres negras, lançou a campanha "Racismo virtual. As consequências são reais". Para entender melhor a campanha em OOH, veja as imagens a seguir:

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