"Toda empresa de mídia precisa ser uma empresa de tecnologia"

das
Cooktop, panela bluetooth do BuzzFeed feita em parceria com a GE

As receitas de sucesso para manter um veículo relevante nos dias de hoje mostram que jornalismo e tecnologia têm que harmonizarem. Em um mundo em que o Facebook lança seu Instant Articles, a Google expande a sua aba News e o Washington Post é comprado por Jeff Bezos, dono da Amazon, é inevitável se modernizar para não ficar para trás.

Para mostrar o que o núcleo de produto pode ensinar à comunicação, o Social Media Week convidou Rafael Sbarai, desenvolvedor de produto do GloboEsporte.com e professor da FAAP, para mostrar a qual lugar o jornalismo do futuro se dirige e para onde vão os investimentos do segmento.

Segundo o profissional, de cada um dólar investido nos Estados Unidos 64 cents vão para Facebook e Google. Além disso, 98% das pessoas que pretendem injetar dinheiro em alguma companhia pensam nestas duas empresas. Desta maneira, se tantos estudos demonstram que é para esse ramo que as notas se direcionam, é necessário que o jornalismo se atualize aos dias de hoje para não ser ultrapassado.

Um bom exemplo de como o jornalismo pode ficar para trás é o Waze. Criado por três israelenses, o aplicativo reinventou de maneira espetacular algo que sempre foi reservado aos grupos noticiosos: informar e prestar serviços. “O que os caras de Israel fizeram foi puro e simples plotar uma informação de texto em um mapa na tela de celulares”

Contudo, se há casos em que a forma tradicional de veicular notícias é ultrapassada, também existem vezes em que a modernidade indica caminhos para revisitar de maneira atrativa velhos formatos. É o caso do BuzzFeed que ao analisar o comportamento dos usuários que seguem o Tasty, canal de receitas simples do vertical, criou uma linha dos produtos que diversificam sua renda e acertam em cheio o gosto do público.

“Ele estudo o comportamento dos internautas e, a partir disso, lançou um produto eles lançaram um livro chamado Tasty. Só no ano passado ele teve 200.000 cópias vendidas. Figurando entre os cinco livros mais populares dos EUA. Felizes com os resultados. Eles deram o segundo passo: o cooktop. Uma panela bluthooth da GE com integração automática com o Tasty”, explicou o comunicador.

Outra forma inovadora de tratar de antigos meios foi a que ocorreu com o Washington Post. Comparado há cinco anos por Bezos, o jornal secular viu sua eminente perda de relevância se tornar em uns cases mais impressionantes de mudanças de gestão dos últimos tempos.

Famoso por ser referência nos Estados Unidos, o tabloide ia mal das pernas, estava desatualizado e passava a ser cada vez mais um veículo regional. Depois de estudar as forças e fraquezas da empresa, o magnata do Vale do Silício chamou o editor Marty Baron, imortalizado no filme Spotlight, e o indiano Shailesh Prakash, chief information officer, para mudar a cara da redação e fazer com que ela tenha maior proximidade com a programação digital.

“Em pouco tempo de mudança na administração eles criaram o Arc, plataforma concebida por meio de um trabalho multidisciplinar entre as equipes de engenharia. Diante do sucesso do publicador de mídia, o Post já o vende para outros portais e só no último ano a ferramenta rendeu 100 milhões de dólares à empresa.” 


Foto da dupla que mudou a cara da notícia no mundo

Além do dispositivo, o jornal tem outros 18 modelos de negócios entre publicidade, branded content e programas de assinatura, que garantem a boa saúde financeira da companhia. Diante desta abrangência de produtos e visão da comunicação contemporânea, Sbarai pergunta: “Porque não pensar em outras receitas incrementais para incentivar o principal função do jornalismo que é questionar o poder vigente”?

Deixe seu comentário: