Durante a CCXP 2019 foi realizado um painel sobre o documentário “Chorão: Marginal Alado”. Com mediação de Edgard Piccoli, o evento contou com um bate-papo do diretor Felipe Novaes, o produtor e também roteirista Hugo Prata, Sarah Oliveira e João Gordo sobre essa figura emblemática do rock nacional.

ChorãoMarginal Alado” é uma produção da Bravura Cinematográfica, com coprodução da Viacom International Studios e distribuição da O2 Play. O filme teve estreia nacional na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e foi premiado pelo público como melhor documentário nacional no festival. Confira na íntegra a entrevista com Felipe Novaes:

Gostaria de saber em que momento você pensou: “Vou produzir o documentário do Chorão”? 

Eu cresci em Santos, então já possuo uma relação mais orgânica com a banda e o Chorão, porque quem era da cidade viu o Chorão na rua e cresceu escutando. Eu sou da primeira geração de fãs do Charlie Brown Jr., agora dá para dividir em gerações, já que ele ficou bastante tempo fazendo sucesso.

Quando o Chorão faleceu, achamos que a discussão ficou muito maniqueísta, sentíamos que era um personagem com mais complexidade e poderíamos fazer um retrato mais profundo daquela figura tão marcante. E acho que surgiu disso, retratar um artista super importante.

Levar o documentário para a CCXP, foi pensando nas gerações do antes e pós Chorão? 

É interessante, primeiro porque o Chorão tem o poder de aglutinar cenas muito diferentes, a galera do rap, rock, reggae e pop adoram a banda. Ele conseguiu aglutinar todos de espaços diferentes, e essa questão geracional é super interessante, porque mudou o consumo da música. Na época, quem escutava música se pautava pela MTV, hoje com os serviços de Streaming, escutamos o que queremos e ficou mais nichado.

Não sei se temos tanto espaço para o men-streaming, mas é muito interessante pensar que o CBJR é uma das bandas de rock brasileira mais escutado no mundo. Por conta da questão geracional, você talvez tenha me dado um insight melhor do que eu tive da importância da Comic Con 2019. Acho que é isso, uma conferência de várias gerações e pensando também em um artista que é muito relevante para um público que está escutando agora e em formatos diferentes.

E é importante para quem não viu um show do CBJR 

Exatamente. Trazer para perto do público um outro olhar.

E ainda tem um público mais jovem que começou a consumir CBJR agora

Sim, talvez o público mais jovem comece a consumir mais após o documentário.

Por ser de Santos e da primeira geração, a produção do documentário foi mais “fácil”? 

A dificuldade está no olhar, e você precisar escolher um. Tem espaço para vários filmes sobre o Chorão com enquadramentos diferentes. Você não conta a história de uma pessoa em uma e meia, não dá para resumir uma pessoa com inúmeras histórias.

A questão é enquadrar um olhar, o que você pensa a partir daquele artista e o que ele te mexe. Também é preciso de uma equipe que cada um consiga contar a própria história no documentário.

É um trabalho de pesquisa muito árduo, pesquisando época, contexto, como esse menino cresceu e escutava, a cena do skate que era um esporte marginalizado nos anos 80 e 90, em uma sociedade santista super conservadora. Então, tem todo um trabalho de construir com um olhar de pesquisa de imagem, personagem e histórica, essa é a grande jogada de fazer um filme.

Foi pensado em documentários de outros artistas? 

Sou pós-graduado em cinema-documentário, então faz parte do meu repertório. Eu assisti muito Cobain: Montage of Heck, um documentário incrível sobre o Kurt Cobain. Durante o processo me liguei muito nesse documentário, mas algumas particularidades são apenas do Chorão.

Tem uma coisa do Chorão que é muito dele. Você a patricinha que dança Chorão, o roqueiro, o maconheiro, o cara do escritório na praia e a mulherada muito louca com doce na boca, todos juntos escutando o mesmo som, coisa que poucos artistas conseguiram.

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