Alemanha, Japão, Turquia, Dinamarca, Itália, Índia, se para cada série estrangeira que víssemos ganhássemos milhas aéreas, ninguém mais pararia em casa.

Alguns anos atrás, não muitos, considerando o momento em que os canais de streaming começaram a avançar, não era nada fácil encontrar filmes, quem dirá séries de países dos quatro cantos do mundo.

Agora, embora a Netflix, de acordo com o site The Information, decidiu diminuir o ritmo de suas produções originais, o que não é uma notícia ruim, visto que  continuará com um orçamento na casa dos bilhões de dólares e o plano é priorizar a qualidade ao invés da quantidade, podemos dar a volta ao mundo via Netflix, saindo um pouco da língua inglesa.

E por que isso é muito legal?

Uma coisa é certa, temos que elogiar e aprender com as produções dos Estados Unidos, líderes nos canais de streaming, em sua vasta maioria, de grandes qualidades técnicas e narrativas.

Isso se prova com o sucesso de séries como, Stranger Things, Mindhunter, House of Cards, Ozar e Making a Murderer, consumidas e amadas mundo afora.

Diferente de muitos países, os norte-americanos têm uma longa e rica tradição  em séries. Para mencionar apenas quatro, Sopranos, Breaking Bad, Friends, e, por último, a que impactou a tv americana, ao ser transmitida pela Fox em seu primórdio, Married with Children. Considerada a primeira série a mostrar a família americana de forma não tão tradicional. Tudo bem! Me rendo. Se vou falar da Fox e citar uma série dos anos 80, não posso deixar de fora, Os Simpsons, este ano chegando a sua 30 temporada. Sua influência na cultura pop é gigantesca, vencedora de 32 prêmios Emmy e considerada pela revista Time como o Melhor Show do Século 20.

Ops! Me entusiasmei. Sou fã. Voltando ao: E por que isso é muito legal?

Porque podemos, com o esforço de apertar um botão do controle remoto, absorver culturas, ideias, visões, realidades diferentes e suas nuances ao contar histórias. Isso tem um valor inestimável. É uma oportunidade de assistir narrativas mais fragmentadas, cheias de experimentações estéticas. Sem contar a delícia de ouvir diferentes idiomas. A dureza do alemão. O canto francês. O entrecortado japonês. Muitas já conquistaram legiões de fãs ao redor do mundo. Dark (Alemanha), La Casa de Papel (Espanha), The Rain (Dinamarca), A Louva-a-Deus (França), Suburra (Itália), O Último Guardião (Turquia) e Hibana: Spark (Japão).

E as produções brasileiras? O momento é ótimo. Muitas já estão no ar. A primeira original da Netflix, intitulada 3%, conta com 50% de audiência em diferentes países, como Canadá, França e Itália. E ainda, O Mecanismo, Samantha, O Escolhido e Coisa Mais Linda. A empresa, anunciou em abril deste ano que planeja lançar até o final de 2020 trinta séries brasileiras. É a nossa cultura alcançando dezenas de países.

Seria cair no comum dizer que o streaming mudou o jeito de assistir televisão, mas cada família tem seus hábitos ao fazê-lo. Alguns maratonam juntos. Ai de quem assistir um episódio sozinho. Outros, assistem separados, mas discutem fervorosamente sobre os episódios assistidos. E por aí vai. Uma coisa é certa, todos morrem de medo de spoilers.

Aqui em casa, percebi a invasão de culturas diferentes semana passada. Estávamos vendo Dark, eu e minha esposa, do nada ela fala, “ Vamos comer Paprika Schnitzel?” Dois dias depois, chega uma mensagem no meu telefone, “Vamos à Liberdade?” Brincando, respondo “O que você está vendo na tv?” A resposta, “Kingdom”. Sim. Sei que é coreana.

Viu! Como é legal!

Neste momento, ao meu lado, na sala, estão minha filha e sua amiga, razão pela qual comecei a escrever este artigo. Estão vestidas propositadamente de anos 80, polainas coloridas e topetes cheios de gel e glitter. Rindo de si mesmas e começando a assistir o primeiro episódio da terceira temporada de Stranger Things. Por isso, aqui paro de escrever, para me render ao que amo. Histórias.

*André Schuck é editor, diretor de cena e diretor de pós-produção publicitário. Tem em seu currículo também documentários e dois longa-metragens, como editor e produtor associado, produzidos em Los Angeles. É autor do livro técnico – Cinema/Roteiro.

 

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