Enfim, a CNN Brasil deixou de ser assunto de especulação de insider da comunicação. As pequenas notas dispersas em colunas publicadas até agora e que atraíam a atenção de interessados pelo tema e de curiosos de plantão perderam o sentido. De agora em diante, isto é, após a publicação da matéria da revista Go Where – Business, essas notas só terão sentido se conseguirem fatos novos, até então não revelados – acho pouco provável, está tudo lá bem explicado! A revista de número 19 publicou matéria de 16 páginas com requintes cirúrgicos, sem contar a capa onde pousam Wiliam Waack, Douglas Tavolaro e Evaristo Costa, cujo texto resume tudo: “CNN Brasil – Os bastidores da chegada da principal marca de notícias do mundo e os sinais de como ela vai mudar o mercado da mídia”.

A matéria-âncora corre nas páginas da revista entremeada de boxes com esclarecimentos específicos, sob forma de testemunhal com uma narrativa muito bem cuidada como poucas vezes se observou na imprensa. Como sabemos, a mídia impressa tem perdido share, tanto de leitores como de anunciantes. Essa matéria revestiu-se de atenção redobrada. Parece um paradoxo que um grupo ligado às plataformas digitais busque a mídia impressa para abrir seus segredos e contar tudo. Tudo?

Aos olhos e mentes mais atentos Go Where Business fez as vezes de uma longa sessão de Q&A (em português Perguntas e Respostas). Ou seja: respondeu a perguntas que a indústria de comunicação gostaria de fazer à CNN. Dessa forma, se algum veículo de comunicação, ou mesmo um jornalista mais ousado desejar entrevistar alguém da CNN Brasil, receberá como cortesia um exemplar da revista. Todas as respostas estarão lá, já escritas. Em resumo essa foi uma pauta nada acidental. Foi desenvolvida com competência criando um mix de jornalismo e relações públicas. A matéria desce a detalhes. Lembra que a Cable News Network (CNN) fundada em 1980, pelo empresário de mídia Ted Turner, em Atlanta (EUA) recebeu ( ou sondou ) empresas de TV no Brasil para realizar negociações. Mas os contatos ficaram só nas ameaças. Aliás, o texto da revista se

preocupa nos mínimos detalhes para revelar contatos com a Rede TV, SBT e a própria Rede Record. Em suma, a matéria, embora seja irretocável, há inferências curiosas. Eis algumas, a título de observação: a) a sede da CNN Brasil será na Avenida Paulista, a menos de mil metros da sede operacional da Record News, que também encontra-se na mais paulista das avenidas; b) seus principais executivos são egressos da TV Record; c) a produtora Casablanca é um dos braços que fornecem produção para as telenovelas da Rede Record, também atenderá a CNN; e, c) o sócio investidor que acabou por eliminar qualquer vínculo com grupo de comunicação já existente é pessoa que sabe marcar presença na mídia – em todas as mídias por meio da MRV, construtora que atua fortemente em marketing.

Em relação à legislação brasileira voltada para os meios de comunicação, a CNN Brasil está dentro de todos os padrões exigidos. Não existe a possibilidade de buscar “pelo em ovo”. Quanto à escolha das plataformas, as negociações continuam. O jornalista Américo Martins, vp de conteúdo da CNN Brasil em conversa informal comigo declarou que tudo está caminhando e que ainda este ano o Brasil despertará com mais uma opção para ser informado sobre as principais notícias do Brasil e do mundo. Cá da minha trincheira fico imaginando como andará o ânimo da concorrência.

Por Antoninho Rossini

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