Parece ficção;

Como explicar a censura aos meios de comunicação?

Fomos tomados por uma enorme surpresa com a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes exigindo a retirada de uma matéria dos sites O Antagonista e Crusoé, que comentavam sobre uma delação de Marcelo Odebrecht citando Dias Toffoli, outro ministro do STF ser “o amigo do amigo do meu pai”. Na matéria não havia nenhuma denúncia ou acusação, apenas citava o codinome criado pela Odebrecht. Pura censura.

A chiadeira foi geral. Vivemos um bom momento democrático e de imprensa livre, inclusive protegida no Artigo 5 da Constituição. O que era para suprimir, com a censura, acabou ganhando enorme expressão de repudio, todas as mídias, TV, Rádio, Jornal, Revista e Sites questionaram a decisão pouco democrática e O Antagonista e Crusoé ganharam enorme visibilidade.

Questionados até pelos colegas do SFT e pela PGR, quiseram manter a censura. Durou pouco, mas o estrago já estava feito. As Redes Sociais entraram em defesa da justiça e cobrando postura no processo. Muitos dizendo que não se pode proceder desta maneira. Citaram inclusive Ulisses Guimaraes que disse sobre a liberdade de expressão “Quanto a discorda-la, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais, afronta-la, nunca”. Muito comentavam este erro ser “Vítima, investigador e juiz”. Nem na época da ditadura ocorreu tal fato.

Mas durou pouco o argumento de Alexandre de Moraes, que acabou retirando a ordem de censura, porém, como o objetivo, segundo o ministro, era verificar notícias falsas, ao menos sete pessoas foram investigadas, tendo sido confiscados seus computadores, celulares, tablets e dispositivos eletrônicos. O curioso é que um deles, por mais incrível que pareça, Paulo Chagas, um general reformado. O que provocou comentários críticos por parte do general Santos Cruz, que é ministro da Secretaria de Governo. Ele disse: “Não se pode silenciar liberdades”.

Como jornalista, me senti profundamente perturbado, pois amanhã isto poderá acontecer comigo. Por outro lado, me senti muito confortável em perceber a contestação de tantos meios, veículos e colegas. No final, a união foi uma vitória da sociedade.

 

Por Antonio Rosa CEO do Adnews

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