A Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP) anuncia o balanço da campanha Somos todos Responsáveis, iniciada em fevereiro de 2012 com o objetivo de colocar em debate, na sociedade brasileira, a publicidade infantil. Além disso, a entidade também lança um dossiê com 220 depoimentos postados no blog da campanha – de autoridades, pais, mães, médicos, psiquiatras, médicos e especialistas em educação para crianças – e cinco cartilhas especialmente elaboradas para pais, educadores, legisladores, publicitários e jornalistas, que oferecem subsídios para a reflexão sobre o tema. Para fazer o download do dossiê e das cartilhas, basta acessar http://www.abapnacional.com.br/downloads-somos-todos-responsaveis.cfm.

 
De acordo com a ABAP, o objetivo da campanha – que continua este ano – foi o de “contribuir com informações objetivas e argumentos legítimos para promover uma discussão equilibrada, livre de radicalismos e mais bem situada no que diz respeito aos enormes desafios representados pelas novas mídias”. 
 
Como explica o presidente da associação, Luiz Lara, “as crianças já nascem hoje com acesso à propaganda em todos os lugares. O caminho para preservá-las da persuasão da publicidade infantil não é proibi-la”. Lara diz ainda que “todos estamos expostos à mídia o tempo todo e a educação das crianças é uma responsabilidade de toda a sociedade. A simples proibição da publicidade infantil pode apenas parecer o caminho mais simples para enfrentar um problema complexo”.
 
Durante estes 14 meses, o blog Somos Todos Responsáveis recebeu cerca de 20 mil visitas de 15 mil usuários interessados no conteúdo dos 260 posts com 220 vídeos publicados. No Facebook, a campanha soma hoje quase 17 mil fãs e mais de 34 mil visitas. Foram mais de 450 posts e 1,6 mil comentários. As ações positivas nesta rede totalizam 25 mil, computadas entre curtidas de página, likes e compartilhamentos, e atingiram mais de 1,7 milhão de pessoas. No total, 59% dos comentários do Facebook são positivos. O YouTube soma 244 vídeos que foram exibidos mais de 15,3 mil vezes.
 
Para Lara, “os resultados da campanha são extremamente positivos. Atingimos o objetivo a que nos propusemos, que foi o de colocar o tema da publicidade infantil em debate pela sociedade brasileira, em várias frentes com especialistas de diversas áreas”. 
 
Alguns educadores e médicos não concordam com a simples proibição da publicidade infantil. Para Andrea Jotta, pesquisadora da PUC-SP, “com o avanço das novas tecnologias não temos a publicidade apenas na televisão, mas em todos os lugares e isso serve para ajudar no senso crítico das crianças”. Para Mario Sergio Cortella, professor da mesma universidade, “a melhor forma de proteger uma criança é dando a ela critérios de escolhas e não as retirando de um determinado ambiente. Alguns pais acham que eles deixarem o filho sem a TV, sem internet e sem acesso ás redes sociais deixarão assim seu filho protegido. Não deixarão protegido, deixarão isolado”. Jorge Hubermann, pediatra do Hospital Albert Einstein e do Instituto Saúde Plena, diz que “a personalidade da criança vai se formar com o exemplo que vê em casa e na escola, muito mais do que na televisão ou na publicidade infantil. Proibir a publicidade não teria eficácia porque a criança vai ver a propaganda em todo lugar”.
 
Dossiê e cartilha
Com 300 páginas e tiragem de mil exemplares, o dossiê de depoimento da Campanha Somos Todos Responsáveis inclui 220 depoimentos de autoridades, psiquiatras, psicológicos, educadores, ONGs, advogados, juristas, médicos e profissionais de saúde, acadêmicos e publicitários  das maiores agências do País. 
 
O ministro Alexandre Padilha, da Saúde, diz em seu depoimento que “Esse é um momento de decisão ás vezes individual, emocional, com uma perspectiva do indivíduo em  mudar a sua forma de vida, seus hábitos ou aderir a um tratamento, e a publicidade tem uma capacidade muito grande de levar essas mensagens positivas. Naquilo que pudermos ser grandes parceiros em levar mensagens positivas sobre hábitos de vida, terá o Ministério da Saúde sempre ao seu lado.”
 
O presidente do Conar – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, Gilberto Leifert, afirma que “a Constituição Federal garante o direito à liberdade de expressão para notícia, para opinião e para o anúncio”. 
 
A opinião é corroborada pelo ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. “É mais importante para o Estado mediar do que punir a sociedade”, diz, lembrando que “a publicidade já vem há anos sendo regulada pelo próprio meio publicitário. Esta é uma conquista do estado democrático de direito e do processo civilizatório”.
 
Com tiragem de mil exemplares cada, as cinco versões das cartilhas – voltadas para pais/mães, educadores, legisladores, publicitários e jornalistas – têm 16 páginas e buscam oferecer, a cada público, subsídios para a reflexão sobre o tema.
 
Os temas comuns a todas elas são: Publicidade infantil e o consumismo; Publicidade para crianças e a obesidade infantil; Publicidade para crianças tem regras – conheça as principais; Afinal, as crianças estão ‘seguras’ diante da publicidade?; É preciso dirigir a publicidade para as crianças? Não seria melhor se a propaganda falasse com os pais? As (muitas) leis que regulam a publicidade infantil; E se alguém achar a publicidade abusiva, o que pode fazer? Existe punição para vale para a publicidade abusiva? Autorregulamentação da publicidade: que negócio é esse?; Mas, e o Brasil? Como estamos nessa história em relação aos outros países; e Decisões do Conar que ajudaram a mudar a propaganda para crianças.
 
O que muda em cada uma delas é a abordagem inicial, concebida para colocar em debate temas específicos para reflexão por parte de cada público. No caso da cartilha para pais e mães, a ABAP reconhece o poder de persuasão da propaganda e a necessidade de fazer anúncios responsáveis. Lembra que, recentemente, estudos passaram a associar a obesidade à propaganda e que ONGs vêm se mobilizando para proibir a publicidade para crianças, uma discussão praticamente global. A entidade se posiciona a respeito destacando que ‘não é razoável supor que a publicidade sozinha responda pelo surto mundial de obesidade’.
 
A publicação direcionada a educadores mostra que alguns deles veem na publicidade infantil uma preciosa oportunidade para conversas sobre valores, consumo, etc. e que há vários programas educacionais que preconizam ser mais eficiente ‘ensinar as crianças a lidar com a mídia e entender seu funcionamento do que combatê-la’. Já a cartilha voltada para os legisladores destaca a regulação da publicidade infantil no Brasil, atualizada em 2006 para incorporar a preocupação com a obesidade, o que tornou mais rígidas as regras para comerciais de alimentos, e a alteração no código de autorregulamentação para impedir merchandising em programas dirigidos a crianças.
 
Para publicitários, o documento foca na obesidade infantil, lembrando que, de acordo com especialistas, não se pode estabelecer uma relação de causa e efeito entre publicidade e o problema. E enfatiza que “o papel da educação e o exemplo da família são decisivos na orientação infantil e na batalha contra a obesidade’. A cartilha para jornalistas aborda os temas – e as argumentações de grupos contrários à publicidade infantil – da obesidade e do estímulo ao consumismo, colocando, como contraponto, o questionamento sobre se as crianças também deveriam ser impedidas de acessar a internet, ver vitrines de shoppings e brincar com videogames, muitos dos quais incluem propaganda. 
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