“Pluralidade Feminina”, “Liderança Feminina no Mundo da Comunicação” e “Empreenda como uma Mulher” foram os temas debatidos no MUBS Elas da Mark Up. O MUBS – Mark Up BrainStorm – é uma plataforma aberta de discussão criada pela agência de Live Marketing que, nesta nova edição, reuniu seis mulheres líderes em seus segmentos para falarem sobre “Empreendedorismo Feminino” e seus desdobramentos.

Existe diferença entre a mulher empreendedora e o homem empreendedor? Essa foi uma das várias questões discutidas no evento. Apesar de reforçarem a importância de ambientes de trabalho mais igualitários entre homens e mulheres, as executivas destacam que certas características culturalmente femininas podem ser fundamentais para uma verdadeira transformação do modelo de gestão das organizações, contribuindo assim para o desenvolvimento do país e de uma sociedade mais justa e saudável.

Moderados pela jornalista Bruna Calmon, os painéis contaram com as participações de: Adriana Carvalho, gerente dos Princípios de Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres; Gal Barradas, publicitária, empreendedora em startups de tecnologia e “Women to Watch Brasil 2017”; Maria Laura Nicotero, CEO da Momentum Brasil e Diretora Executiva Momentum para América Latina, membro do conselho da AMPRO, vice-presidente da ABAP e “Women to Watch 2018”; Marcia Esteves, presidente da Rede Grey e “Women to Watch Brasil 2018”; Daniela Cruz, cofundadora da Vult Cosméticos; e Paula Gertrudes, fundadora da Connection, plataforma que monitora e conecta marcas a celebridades por meio de inteligência artificial, fundadora da ACT10N, agência de gestão de celebridades e CEO da Cara de Conteúdo.

Empreendedora X Empreendedor

As executivas acreditam que muitos aspectos femininos podem contribuir nos negócios e, consequentemente, no desenvolvimento do país. De acordo com Daniela Cruz, toda mulher que começa um negócio possui um propósito maior do que gerar fluxo de caixa. “Atualmente, se existir uma diferença, é a questão do propósito. A mulher de hoje está mais empoderada, ela quer ser feliz, não apenas trabalhar, gerar renda. Ela quer fazer algo apaixonante, algo que a complete”, afirma.

Paula Gertrudes concorda com a afirmativa de Daniela. “Qualquer trabalhadora, seja empreendedora ou não, está acostumada carregar a famosa culpa por não dar atenção à família, à vida pessoal… É algo que, no passado, nunca fez parte da vida do homem”, conta. Ela ainda adiciona: “outras diferenças estão nas barreiras que as empreendedoras enfrentam, como a falta de oportunidade de networking e de participar de espaços para gerar negócios; a dificuldade de acesso a crédito, já que, em média, as mulheres pagam taxas maiores que os homens; e o fato de que não trabalhamos nossa imagem profissional como os homens fazem. Eles se vendem melhor”, provoca.

“Walk the Talk”: inclusão antes da diversidade

Como as marcas podem investir com legitimidade na pluralidade feminina? Para Adriana Carvalho, isso só é possível se for um reflexo da cultura da empresa. “É preciso que as empresas olhem para fora, mas olhando para dentro. Sabemos que as organizações são feitas por pessoas e não é fácil mudar vibração, crença, espírito e hábitos tão agregados a uma população. Isso é resultado de um trabalho contínuo”, diz Adriana.

Segundo Gal Barradas, não basta apenas ter o desejo de ser plural e diversificar. “As empresas têm um papel fundamental para que a diversidade seja realmente alcançada. Antes de mais nada, elas precisam incluir essas pessoas no ambiente de trabalho. A pluralidade tem a ver com a cultura empresarial e não pode ser um discurso usado no momento do recrutamento. É essencial que as marcas estejam preparadas para incluir e receber essas pessoas”, declara.

Transformação do “microcosmo”

E como liderar quando modelos de gestão estão em constante mudança? Uma das dicas de Marcia Esteves foi: transformar reações em ações práticas. “Para que mais mulheres tenham mais condições de subir profissionalmente, nós temos a missão de mudar os pequenos ambientes que lideramos. Sabemos que é um processo complexo, mas as lideranças precisam construí-lo por meio de sistemas transparentes, procedimentos claros e muito, muito diálogo”, aconselha Marcia. “Quando começamos a trazer essas questões para uma conversa, gradativamente, todos passam a lutar pelos mesmos objetivos, pois estamos falando em desenvolver um país melhor e uma sociedade mais justa e saudável para todos”.

Muito já foi falado sobre a necessidade de as mulheres adquirirem características masculinas para serem líderes bem-sucedidas. Para Maria Laura Nicotero, essa percepção não é correta. “Uma coisa é afirmar que certas características de um gênero permitem uma gestão mais condizente com as evoluções do mercado. Mas não podemos afirmar que, para liderar, precisamos ter qualidades tidas como masculinas, como força, luta e assertividade. Homens e mulheres líderes podem ter essas características. Os grandes grupos da comunicação estão vendo isso e já existe um movimento de impedir a continuidade desses modelos de gestão antiquados”, diz.

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