‘As pessoas não são cookies’

Painel do MMA Fórum Brasil debate as melhores práticas em campanhas no mobile

O Brasil é um país altamente ligado ao universo mobile. Mesmo porque, com a popularização dos smartphones e dos planos de dados, os dispositivos móveis representam para muitos a primeira e principal porta de entrada para o ingresso ao mundo da web. De acordo com dados revelados por uma pesquisa do Google, em agosto deste ano, os aparelhos já respondem por quase 30% dos acessos à internet.

Isso não significa, entretanto, que a intimidade do brasileiro com o mundo mobile, por si, sem pesquisa, informação, inovação e estratégia, é capaz de fazer com que a comunicação de uma marca seja um sucesso. Para falar sobre audiência e melhores práticas, Cristiane Higashi, head de novos negócios da Zenvia e Natacha Volpini, head de mídias digitais da Ambev, fizeram as suas apresentações no MMA Fórum Brasil, que aconteceu ontem (2), em São Paulo, e teve como tema a "Mobile Transformation".

Para abrir o painel, Cristiane Higashi colocou em cheque os rumores sobre a suposta morte do SMS. Para ela, a ferramenta pode até não ter hoje o mesmo apelo para conversas mais pessoais, como já aconteceu um dia, papel que foi ocupado por aplicativos como o WhatsApp, mas pode se posicionar como uma maneira interessante de comunicação para as marcas, sobretudo para dar ao público informações interessantes e/ou de prestação de serviços.

Para ela, o maior exemplo é a quantidade de mensagens hoje encaminhadas pelos aplicativos. Entretanto, a profissional da Zenvia ressalta a importância de conhecer a audiência e oferecer um contexto coerente e interessante. "A oportunidade é enorme. O mobile é um para um, é pessoal. O desafio é capturar dados para acertar a comunicação, entretanto, não podemos esquecer que as pessoas não são cookies. A relação não pode ser fria", opina. Sobre a questão de privacidade versus uso de dados, Cristiane acredita que os usuários até costumam topar dividir informações, desde que percebam algum valor nisso. Em outras palavras, é preferível enviar menos e melhores mensagens, com inteligência e estratégia para melhorar o engajamento. "Já basta o banner para ‘stalkear’ as pessoas".

É preciso provocar o mercado

Por maior que seja a evolução do mercado brasileiro no universo mobile nos últimos anos, para Natacha Volpini, head de mídias digitais da Ambev, o momento ainda é de catequização e educação. "Já temos diversos jovens nas empresas e que dominam esse universo, mas ainda não saímos do momento da evangelização". Em sua visão, mesmo com o fenômeno da segunda tela, as pessoas pararam de prestar atenção na televisão, sobretudo nos horários dos comerciais.

Para a profissional da Ambev, as coisas estão evoluindo, mas o desafio é ser cada vez mais relevante. Por outro lado, ela destaca o que o anunciante precisa fazer para ajudar a desenvolver e fomentar esse mercado que, ao que tudo indica, representa o grande futuro da comunicação. "Precisamos provocar as agências. Caso contrário, vamos acabar recebendo os mesmo planos de mídia de sempre, focados apenas nas mídias convencionais. Hoje é fácil vender televisão, mas daqui a três anos eu não sei se a TV vai continuar vendendo do mesmo jeito", declarou Natacha, para fechar o painel.

Por Renato Rogenski

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