Caso golfinho escancara despreparo da mídia

Portais de diferentes lugares do mundo dramatizaram caso que continua com questões inexplicadas

"A Internet está nos matando". A frase dita por um dos editores do periódico Boston Globe no filme Spotilight (2015) nunca fez tanto sentido como atualmente.

A fluidez das redes sociais revolucionou o consumo de notícias e, principalmente, a produção delas. Em meio a isso, o episódio da morte de um golfinho em uma praia argentina levanta uma importante questão: como aliar velocidade à apuração?

Para quem não sabe, um vídeo caseiro que mostra banhistas retirando um golfinho do mar circulou incessantemente nas redes sociais nos últimos dias. É claro que não demorou para o conteúdo viralizar e virar notícia em diversos portais do mundo. Manchetes como "Filhote de golfinho morre desidratado após excesso de selfie" e "Argentina: turistas matam golfinho ao tirá-lo da água para fazer sessão de fotos", mostram a dramatização do caso que, segundo a maioria da mídia, se trata da morte do animal durante uma série de selfies.

O grande problema nisso é que, após a repercussão do caso, surgiram informações que contradizem a bizarra história. No Brasil, por exemplo, portais como E-farsas e boatos.org trataram de envolver detalhes e fontes que levantam novas questões à notícia. Uma delas é a entrevista do turista Hernan Coria, suposto divulgador do vídeo, à emissora argentina Telefé em que ele afirma que o golfinho já estava morto quando foi retirado da água. Na conclusão do Boatos, por exemplo, as pessoas tentaram, sem preparo algum, retirar o animal do mar para salvá-lo, e não para fazer selfies.

A notícia continua confusa e seguimos sem saber o que aconteceu exatamente na praia de Santa Teresita. A gafe torna-se um case de como é importante priorizar a apuração mesmo na corrida por cliques, e, principalmente, informar o leitor quando a pauta ainda possui questões mal explicadas.  

Redação Adnews

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