Tutinha Carvalho, presidente da Jovem Pan, não é apenas um dos homens mais importantes da comunicação no País. Como ele mesmo já disse, nasceu e foi criado respirando o ar do rádio e da televisão. Seu avô, Paulo Machado de Carvalho, foi um dos precursores de ambos os meios no Brasil. Seu pai, Antônio Augusto Amaral de Carvalho (Seu Tuta), também faz história na mídia brasileira há várias décadas, sendo o principal responsável pelo processo de consolidação da rádio Jovem Pan como um veículo icônico no cenário nacional. Para falar sobre o momento da mídia brasileira, a relação da internet com o rádio e o posicionamento atual da emissora, Tutinha bateu um papo com o Adnews. Confira:

O que mudou no rádio brasileiro desde quando você assumiu a direção da Jovem Pan, com 20 anos, até os dias de hoje?

O rádio no passado era mais musical e hoje acredito que ele é e continuará sendo cada vez mais informativo e interativo, com os lançamentos de aplicativos como o Spotify, Imusic e outros. Com isso, cada um ouve a música que quer, onde quiser e na hora que quiser. Já as rádios de notícias e programas de talk show trazem informações em real time e as notícias podem ser comentadas por pessoas de diferentes opiniões e com a participação dos ouvintes.

Quais são as principais modificações estratégicas que a internet provocou de maneira direta e indireta no rádio nos últimos tempos?

Quanto à comparação do rádio e internet, eles são veículos que se complementam. O rádio é um dos veículos que mais interage com a internet. A Jovem Pan possui uma parceria com o Viber, por exemplo, e com isso criamos um canal direto com o ouvinte, em que ele pode mandar fotos, vídeos, perguntas, reclamar do que não gosta, e elogiar os programas também.

O rádio sempre teve como característica a velocidade, porém, hoje a internet consegue ser tão ágil quanto. Esse cenário fez com que a opinião ganhasse mais destaque no jornalismo, já que a velocidade já não é mais algo exclusivo do meio?

Acho que desde que começou nossa gestão na Jovem Pan, a equipe junto com Marcelo Carvalho (vice-presidente), José Carlos Pereira (diretor de jornalismo), Patrick Santos (gerente de jornalismo) e nosso CEO Roberto Araújo, nossa proposta foi de deixarmos nossos comentaristas opinarem à vontade. Óbvio que as notícias são iguais para todos os veículos, mas a opinião não, e isso é o que deu muito certo.

A Jovem Pan realmente tem apostado bastante num noticiário cada vez mais opinativo. A chegada da Rachel Sheherazade é emblemática neste aspecto. Qual é o feedback do público e dos anunciantes a respeito disso?

A rádio Jovem Pan assumiu a liderança no ‘Jornal da Manhã’, no esporte e no ‘Morning Show’ (nosso programa de talk show). Também lançamos há pouco tempo um programa focado na interatividade com os ouvintes, que se chama ‘RadioAtividade’, e sem esquecer do nosso líder absoluto de audiência que é ‘Os Pingos nos Is’, com o comentarista político Reinaldo Azevedo. Esse nosso trabalho na rádio acabou gerando um bordão que tenho ouvido em todos os lugares que vou: “A Jovem Pan fala aquilo que eu penso”.

Sobre venda de comerciais, apesar da crise, que é a maior que já vi, a rádio Jovem Pan tem faturado acima da média, e acredito que isso se deve a repercussão dos programas e obviamente da liderança de audiência.

Além da natural venda de espaços publicitários convencionais, quais são as outras alternativas de receitas da Jovem Pan?

Em paralelo a isso estamos criando produtos próprios para incrementar nosso faturamento, como seguro médico para pets, sites de venda de carros, eventos esportivos, portal e aplicativo da Jovem Pan, e outros que estamos negociando para o futuro.

Quais são hoje os produtos mais fortes da rádio e as principais metas e objetivos para os próximos meses ou anos?

Nossos três produtos mais fortes são o ‘Jornal da Manhã’, líder nas manhãs, o esporte/ futebol, que é líder nas classes ABC e D, e ‘Os Pingos nos Is’. Temos também nossa rede de emissoras de FM (hoje são 54 no Brasil). Pelo menos 50 delas estão em primeiro lugar. Também estamos formando uma nova rede com foco mais nacional que é a Jovem Pan News.

Nosso futuro é ser multiplataforma e com muito investimento em internet. Vamos investir três milhões de dólares na primeira parte do projeto de colocar imagem no rádio. A partir de outubro deste ano todos os programas da Jovem Pan serão transmitidos com imagem para computadores, Ipads e Iphones, e também já estamos negociando com emissoras a cabo para fazer conteúdo para eles.

A Jovem Pan vai virar TV – por enquanto na internet – e no futuro, quem sabe! Além disso, nosso investimento será focado em pessoas, em criar novos talentos, dar oportunidades a jovens que gostem e queiram participar da escola do rádio, esse é um dos méritos do rádio: “criar grandes profissionais”. Quase todos os grandes jornalistas e comunicadores bons do mercado passaram pela Jovem Pan. Alguns exemplos são Ernesto Paglia, Monalisa Perrone, Camila Busnello, Pedro Bassan, Cesar Tralli, César Filho, Fabricio Battaglini, Luciano Faccioli, Fausto Silva, Luciano Huck, Luciana Liviero, Rosana Cerqueira, Rodolpho Gamberini, José Silvério, Boris Casoy, Sabrina Parlatore.

A escola do “Seu Tuta” vai continuar, suas ideias no rádio e na TV nos inspiram até hoje para que o rádio continue sempre focado na inovação e na prestação de serviço.

Por Renato Rogenski

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