Os smartphones têm muitas características. Podem diminuir distâncias ao permitir chamadas de vídeo. Servem para ler e responder e-mails de qualquer lugar com internet. São companheiros de atividades físicas na academia ou na rua. Tiram fotos. E até fazem ligações! Mas o mais importante desta nova tecnologia é o modo intuitivo com que funciona.

Quando alguém vê uma criança pequena mexendo no celular com total desenvoltura diz "Já nasceu sabendo". Na verdade, ela apenas aprendeu rapidamente, porque cada ação gera reações rápidas e fáceis de entender. E com poucos botões.

Por isso, é difícil hoje em dia você ver alguém parado num ônibus ou metrô que não esteja olhando para a telinha do seu smartphone. Em casa, não é muito diferente. O aparelho acompanha no jantar (o que gera muitas discussões entre famílias que têm filhos adolescentes) e até na hora de assistir TV. Alguns dias atrás ele era chamado de segunda tela, mas na verdade ele é cada vez mais a primeira tela, servindo de fonte de pesquisa ou ponto de comunicação para o que acabou de acontecer no jogo de futebol, novela ou série de TV.

A prova de que a segunda tela não é a mais a do smartphone veio de um estudo recente  da Miner & Co Estúdio, feito com 800 mães e pais de crianças com idades entre 2 e 12 anos, revelou que 57% deles disseram que seus filhos preferem assistir ao conteúdo de vídeo em qualquer dispositivo móvel, exceto o televisor. 

É claro que eles preferem! Naquela telinha eles podem assistir ao que quiserem, por quanto tempo quiserem (ou seus pais permitirem). Tente ir a um restaurante e olhar ao redor. Se em uma mesa com adultos e crianças os pais estão conversando, é porque os filhos estão com algum aparelho nas mãos. Se os pais estão olhando para uma telinha brilhante também, ninguém está conversando. Pelo menos não como antigamente, com palavras orais.

Artigo de Marcelo Forlani, colunista e um dos fundadores do Omelete, portal de entretenimento e cultura pop do Brasil