Washington Olivetto, um dos maiores publicitários brasileiros de todos os tempos, costuma dizer que "publicitário que só anda com publicitário acaba criando campanhas iguais a todas". Talvez por isso, pela importância da pluralidade de referências, um evento extremamente nichado, como o Adobe Summit 2016, tenha a presença de nomes como a jogadora americana de futebol Abby Wambach e o ator, produtor e diretor de cinema George Clooney.

Esse último, embora muito mais ambientado com o jogo da indústria midiática e o mercado da propaganda, não usou seus conhecimentos para falar apenas de comunicação ou tecnologia de uma maneira especifica. No palco do grande evento de marketing digital, Clooney falou sobre a importância de avaliar cenários antes da tomada de decisões, e também sobre como é possível aprender com os seus erros para evoluir cada vez mais.

Sobre o fracasso, o ator lembrou que "quase quebrou a franquia Batman quando fez o filme Batman & Robin", em 1997. Entretanto, ressaltou que apesar das merecidas críticas ruins, o longa não foi um desperdício de dinheiro como muitos afirmaram. "Dinheiro e maus filmes não se correlacionam exatamente. É incrível o que as vezes as pessoas pagam para ver", afirmou.

Apesar de ter ido a um evento totalmente focado no meio digital, Clooney parece não se sentir tão confortável assim nesse novo mundo. Certa vez ele disse uma frase que caiu como uma bomba no universo das celebridades: "Famosos que usam o Twitter são idiotas". Ann Lewnes, VP sênior e diretora de marketing da Adobe, não deixou de relembrar a declaração  para questionar a estrela do cinema sobre o assunto.

Esse foi o momento em que Clooney deixou o sorriso um pouco de lado e foi mais enfático. "Precisamos colocar algumas coisas no contexto com relação a isso. Eu apenas acho que se você já está bem famoso, há apenas desvantagens. Eu não tenho como controlar minha própria narrativa", argumenta.

Por outro lado, a estrela de Hollywood confessou que as redes sociais também ajudaram a fazer com que a indústria evoluísse muito nos últimos anos, principalmente por que não há mais como blindar um filme em cartaz de uma crítica ruim, já que o zumbido é sempre muito forte nas redes sociais e o "boca a boca" faz toda a diferença hoje. "A mídia social nos forçou a criar coisas melhores", sentenciou.

Para Clooney, a qualidade da narrativa também melhorou significativamente como fruto do que chamou de policiamento social. "Muitas coisas que vemos hoje na televisão estão melhores até que filmes, sendo capazes de contar boas histórias com mais de dez episódios", defende.

Embora Clooney não tenha previsão ainda para abrir uma conta no Twitter, seu discurso abraça a ideia de que a democratização da audiência e esse novo momento efervescente de produção de conteúdo, sobretudo com o streaming, é muito rico para todo mundo que trabalha na indústria da comunicação.

Redação Adnews, de Las Vegas (USA)
O Adnews está no Adobe Summit a convite da Adobe. A cobertura é um oferecimento também de Rae,MP e TheAcquis.