Pessoas trans: luta por espaço e inclusão no mercado de trabalho

Ser transexual no Brasil, país com maior índice de homicídios de pessoas trans, segundo a ONG Transgender Europe, não é fácil. Isso porque o preconceito, a violência e a exclusão estão presentes em todos os lugares: família, sociedade e empresas.

As oportunidades para as pessoas trans no mercado de trabalho são raras e, visto que o trabalho, para alguém que pode não ter apoio familiar, é a única fonte de renda e sustentação financeira, isso se torna um problema ainda mais sério.  Em muitos processos seletivos, a diversidade é derrubada na fase da triagem, o que faz as empresas ignorarem o legado histórico racista, homofóbico e transfóbico.

Por que pessoas trans não conseguem emprego?

A taxa de evasão escolar, devido à falta de preparo e inclusão dentro da sociedade, é extremamente alta, o que torna as oportunidades de trabalho quase nulas. Para vagas operacionais ou serviços subalternizados, travestis e transexuais não correspondem as exigências mínimas do marcado, já que a qualificação mínima exigida é o ensino médio completo.

A exclusão normativa também é um fato: nem todo homem trans é hormonizado e mastectomizado, o que gera uma resistência sob o ângulo social e dificulta o ingresso no mercado de trabalho.  Pessoas trans que possuem passabilidade (características físicas de um indivíduo cisgênero) tem uma chance um pouco maior de ingressar no mercado, porém, na maioria das vezes, sem revelar ser uma pessoa trans.

Além da contratação de colaboradores transexuais ser um impasse, há àqueles que contratam e incluem o movimento de diversidade, porém não abraçam a causa. Ou seja, conforme dados do instituto Center for Talent Inovation, 61% dos membros da comunidade LGBTQIA+ precisam esconder sua identidade de gênero ou sexualidade no trabalho.  

O que acontece também é um preconceito da sociedade dentro das empresas, quando, por exemplo, pessoas trans são chamadas pelo nome de registro. Quando não há uma cultura ou um trabalho prévio de conscientização e sensibilização com todos os colaboradores, na maioria brancos, cis, héteros, homens e não-deficientes, é essencial o processo de autoeducação.

De acordo com a pesquisa A Workplace Divided, do Human Rights Campaign Foundation:

  • 75% dos trabalhadores LGBTQIA+ esconderam pelo menos uma vez a sua orientação sexual ou identidade de gênero no trabalho;
  • 46% dos trabalhadores LGBTQIA+ nunca assumiram a sua orientação sexual no trabalho;
  • 31% dos trabalhadores LGBTQIA+ dizem que se sentiram infelizes ou deprimidos no trabalho;
  • 20% dos trabalhadores LGBTQIA+ já evitaram um evento especial em trabalho como almoço, happy hour ou uma festa de final de ano por se sentirem constrangidos devido à sua orientação sexual.

As dificuldades no setor profissional ainda são muitas, que vão desde o recrutamento até um ambiente totalmente inclusivo. É por este motivo que, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA), 90% de pessoas trans estão em situação de rua e de prostituição.

A exclusão do mercado de trabalho, torna a prostituição de rua a única opção de sobrevivência.

Não é opção, é falta de oportunidade.

Como o mercado de trabalho pode ser inclusivo?

Algumas ações podem ser tomadas para que essa inclusão aconteça de fato, como:

  • Criar um departamento para comunidade trans dentro das empresas;
  • Criar campanhas de adesão de funcionários trans dentro das empresas, para que tornem o ambiente diverso e inclusivo;
  • Obter um número maior de órgãos de apoio ao público trans;
  • Celebrar atividades e eventos como Orgulho LGBT e o Dia da Visibilidade Trans no trabalho. Datas como essas dão às empresas a chance de destacar a participação LGBT nos negócios e passarem uma mensagem clara à sociedade em geral, de que elas valorizam a diversidade e a inclusão.

O Movimento LGBTQIA+ brasileiro instituiu, no dia 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais ou, como popularmente conhecido, Dia da Visibilidade Trans. E, para celebrar a data, o coletivo Aceita de Atibaia, interior paulista, irá realizar uma live em seu perfil do Instagram, com a militante da causa Alana Silva: primeira transexual a retificar os documentos na cidade e a conquistar o acompanhamento de sua terapia hormonal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Clique aqui para saber mais!

E o que sua empresa pode fazer pelas comunidades trans e LGBTQIA+?

  • Estabelecer uma política antidiscriminação

Adicionar uma cláusula não discriminatória à política da empresa garante o compromisso de proteger os funcionários pertencentes a grupos minoritários, dando-lhes o direito de justiça caso haja discriminação ou assédio.

  • Conscientizar sobre a diversidade

Os gestores devem conscientizar e garantir que os funcionários tenham responsabilidade de respeitar e defender os direitos da comunidade trans e LBTQIA+.

  • Respeitar nomes e pronomes

Pessoas trans, normalmente, preferem mudar seus pronomes (ele/ela) para se conectarem com seu gênero.

  • Facilitar mudanças de nomes ou adoção da identidade social

Mudar o nome em documentos legais é um processo demorado e burocrático. Por isso, ter um protocolo em sua empresa que permita que o nome exibido nas mesas, endereços de e-mail ou qualquer plataforma social ou de comunicação, seja diferente do nome de documento. Assim, só o departamento do RH terá informação do nome real.

 

É preciso que o profissional seja aceito como é e se sinta de fato acolhido fazendo parte do ambiente de trabalho.

Concluindo, os empregadores têm um papel fundamental a desempenhar na igualdade trans, já que a comunidade continua a enfrentar níveis desproporcionais e preocupantes de abuso em todas as áreas de suas vidas. Portanto, é necessário combater a discriminação generalizada e garantir que estas pessoas tenham amparo e acolhimento no trabalho, assim como mais empresas e organizações desempenhem um papel ativo na defesa da igualdade.

 

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