Apagar mensagem não apaga a prova

O avanço das ferramentas de extração de dados, como as utilizadas pela Polícia Federal, revela que rastros digitais permanecem na memória dos aparelhos mesmo após a exclusão manual pelo usuário

Apagar mensagem não apaga a prova

Hoje quero te fazer uma pergunta: Você já apagou alguma mensagem achando que ela tinha sumido para sempre? Se sua resposta foi: “sim”, preste muita atenção no que eu vou te contar. Porque, em uma investigação, apagar nem sempre significa desaparecer.

Quando uma investigação criminal envolve celulares, uma das perguntas mais comuns é: como a polícia consegue recuperar mensagens que já foram apagadas? A resposta está em ferramentas de perícia digital usadas por investigadores em vários países, inclusive no Brasil.

A Polícia Federal utiliza softwares especializados capazes de extrair dados diretamente da memória dos aparelhos. Entre as ferramentas mais conhecidas no mundo estão sistemas como Cellebrite UFED e MSAB XRY, utilizados por órgãos de investigação para analisar celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos.

Esses programas funcionam conectando o aparelho a um computador e fazendo uma cópia completa dos dados armazenados no dispositivo, algo que na perícia digital é chamado de “extração”. Dependendo do modelo do telefone e do nível de acesso obtido, é possível recuperar mensagens, fotos, histórico de chamadas, arquivos e até fragmentos de dados que aparentemente haviam sido apagados.

Isso acontece porque, na maioria dos celulares, quando um arquivo é deletado ele não desaparece imediatamente da memória. Na prática, o sistema apenas marca aquele espaço como disponível para ser sobrescrito no futuro. Até que isso aconteça, ferramentas de análise conseguem localizar esses fragmentos e reconstruir parte das informações.

Além das mensagens de texto tradicionais, os programas também conseguem analisar dados de aplicativos populares de comunicação. Em alguns casos, eles recuperam informações de backups locais, registros de atividade ou arquivos temporários que permanecem no aparelho mesmo depois que o usuário apaga uma conversa.

Ao mesmo tempo, especialistas em segurança digital lembram que o avanço dessas tecnologias também levanta debates sobre privacidade e proteção de dados, já que o acesso a um celular pode revelar praticamente toda a vida digital de uma pessoa.

No fim das contas, apagar uma mensagem no celular nem sempre significa que ela desapareceu de verdade. Às vezes ela só fica escondida na memória do aparelho, esperando alguém com as ferramentas certas para encontrá-la. Ou seja: no mundo digital, “delete” nem sempre quer dizer “esquecido”.

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