Avanço das montadoras chinesas reconfigura o mercado de financiamento automotivo no Brasil
Executivos de bancos comerciais e de montadoras reunidos no Panorama de Veículos da Acrefi destacam o impacto do apelo de preço, tecnologia e oscilações do valor residual na originação de crédito, produtos de recompra e assinaturas
13.08.2026

A expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro de automóveis está redefinindo as estratégias de concessão de crédito, precificação e parcerias entre instituições financeiras e fabricantes. O panorama da transformação do setor foi debatido por executivos do mercado financeiro durante a 6ª edição do Panorama de Veículos, evento promovido em São Paulo pela Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).
Com uma evolução marcante em qualidade e tecnologia nos veículos elétricos e híbridos, os novos fabricantes pressionaram as margens de preço no segmento de zero-quilômetro, provocando efeitos diretos nas carteiras de crédito e nas projeções de desvalorização para veículos seminovos.
"Quando muda a dinâmica do mercado automotivo, muda também a equação do crédito. A entrada das montadoras chinesas amplia a concorrência, mexe com preços e coloca novas variáveis na análise das instituições financeiras, especialmente em relação ao valor residual e ao comportamento desses veículos no mercado de usados", analisa Cintia Falcão, diretora-executiva da Acrefi.
Visões das Instituições Financeiras
Banco Safra: André Novaes destacou a evolução da qualidade dos produtos chineses e o fortalecimento de acordos com essas marcas, definindo a carteira de crédito para veículos chineses da instituição como o "melhor portfólio" atualmente, prevendo ainda novas etapas desse avanço no país;
Itaú Unibanco: Mayara Rezek pontuou que a chegada dos novos players subverte a lógica tradicional de margem do mercado e altera a concentração de operações entre fabricantes de longa data;
GM Financial: Márcio Frazão avaliou que a forte competição por produto e preço veio para ficar, demandando maior agilidade das financeiras na leitura de dados, avaliação de risco e tomada de decisão;
Banco Daycoval: Alexandre Teixeira ressaltou que, para blindar a instituição diante de eventuais oscilações do valor residual, o banco atua focado na originação do crédito, exigindo uma entrada média superior a 30%;
Banco Toyota: Pedro Dabur observou um movimento de migração de consumidores de seminovos para veículos zero-quilômetro impulsionado por bônus e taxas das marcas chinesas, o que motivou discussões para reajustes nas taxas de recompra garantida e no valor residual da rede;
Santander Financiamentos: Tiago Meister alertou para o impacto nos modelos de negócio por assinatura, cujas equações financeiras dependem diretamente da previsibilidade do valor de revenda dos automóveis após ciclos de dois a três anos.
Comportamento de Preços: Novos vs. Seminovos
Indicadores recentes do relatório AutoAcrefi apontam assimetria entre os preços dos veículos novos e a depreciação dos modelos usados das novas marcas no mercado local:
BYD (Dados de Julho): Modelos zero-quilômetro apresentaram valorização média de 1,77%, enquanto os seminovos da marca registraram recuo de 0,60%;
GWM (Dados de Julho): Preços de veículos novos mantiveram-se estáveis (+0,03%), enquanto os seminovos apresentaram depreciação média de 0,51%.
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