Biometria avança, mas fraudes com deepfakes abrem brechas de bilhões

Popular entre 73% dos brasileiros, a autenticação biométrica cresce no país — e também atrai golpes cada vez mais sofisticados, potencializados por IA

Adnews

01.12.2025

Biometria avança, mas fraudes com deepfakes abrem brechas de bilhões

Tokens e senhas estão perdendo espaço para impressões digitais, reconhecimento facial e análise de voz. A biometria já equipa mais de 4,2 bilhões de dispositivos móveis no mundo, segundo a Juniper Research, e deve validar 57% de todas as transações digitais globais até o fim de 2026. No Brasil, 73% dos usuários se dizem mais seguros com métodos biométricos do que com códigos numéricos, de acordo com pesquisa da Accenture.

Mas, à medida que o uso avança, os ataques também evoluem. “Com o avanço das tecnologias biométricas, especialmente o reconhecimento facial, empresas e governos vêm reforçando sistemas de segurança com identificações automáticas de indivíduos. No entanto, esse movimento é acompanhado pelo cibercrime na busca por técnicas sofisticadas, alimentadas por Inteligência Artificial, capazes de burlar os sistemas de autenticação”, afirma Anchises Moraes, Head de Threat Intelligence na Apura Cyber Intelligence S.A.

Segundo o especialista, fraudadores já utilizam impressoras de alta resolução, softwares específicos e deepfakes para recriar características faciais e corporais, mirando aplicativos bancários, serviços públicos e plataformas financeiras.

Os ataques se dividem em cinco níveis de complexidade: • Nível 1: fotos e vídeos em alta resolução, além de máscaras de papel. • Nível 2: bonecos realistas e máscaras 3D de silicone ou látex. • Nível 3: artefatos ultra-realistas e cabeças de cera. • Nível 4: manipulação de mapas faciais 3D para enganar sistemas de “prova de vida”. • Nível 5: injeção digital de imagens e deepfakes em tempo real, simulando atividade legítima do usuário.

Relatórios como o da Deloitte, citado pelo portal Infochannel, estimam que fraudes impulsionadas por IA podem gerar prejuízo de R$ 4,5 bilhões até o fim de 2025, com crescimento superior a 800% no uso de deepfakes no país.

Casos extremos já acontecem em escala global. Na China, um funcionário de uma estatal transferiu US$ 622 mil (cerca de R$ 3,1 milhões) após conversar por vídeo com um suposto CEO — na verdade, um deepfake construído em tempo real a partir de imagens públicas do executivo.

Para conter o avanço dos golpes, empresas têm apostado em autenticação multimodal. A estratégia combina vídeo, áudio, sensores de temperatura e profundidade, além de biometria comportamental, que observa padrões como pressão na tela, velocidade de digitação e forma de segurar o dispositivo. Sistemas mais recentes também incluem detecção de deepfakes em tempo real e desafios dinâmicos orientados por IA, como comandos inesperados que testam a reação do usuário.

O monitoramento de vazamentos na dark web tornou-se outra frente central: equipes especializadas rastreiam bases expostas em busca de imagens e identidades recicladas em novas tentativas de fraude.

“Por isso se faz fundamental o trabalho desenvolvido pela Apura em conjunto com outras empresas de cibersegurança, ao monitorar as redes em busca de possíveis ameaças e, quando, infelizmente, um ataque for bem-sucedido, avaliar minuciosamente todos os fatores envolvidos para desenvolver e aprimorar ainda mais as táticas defensivas contra cibercriminosos que querem explorar as vulnerabilidades do uso de biometrias”, finaliza Moraes.

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