Black Friday 2026: Coris prepara estratégia antes da corrida por descontos
Taís Mahalem, sócia-diretora de Canais Digitais da Coris, fala sobre a preparação para a data, o papel dos creators e da inteligência artificial e os limites da criatividade em um produto ligado à saúde e à segurança
01.09.2026

A Black Friday 2026 já movimenta marcas de diferentes segmentos em busca da atenção do consumidor. No mercado de seguro-viagem, porém, a disputa tem características próprias. Como o serviço é contratado para uma situação que pode ou não acontecer, convencer o consumidor sobre a importância da proteção antes da viagem é parte central da estratégia.
Para a Coris, esse trabalho começa muito antes da data promocional. A empresa aposta em conteúdo, relacionamento, influenciadores, afiliados e novas ferramentas de inteligência artificial para aproximar o seguro da decisão de compra, especialmente no momento em que o consumidor está planejando uma viagem.
Taís Mahalem, sócia-diretora de Canais Digitais da Coris, tem quase 20 anos de experiência no mercado segurador e, nos últimos 10, focou sua carreira no setor de Seguro Viagem. Sua trajetória profissional começou com grande aptidão para vendas, com especialização em canais de distribuição e estratégias de marketing. Apaixonada por inovações e estratégias digitais, Taís conquistou posições de destaque, sempre com uma abordagem "win/win" que garante parcerias bem-sucedidas e resultados positivos para todos os envolvidos.
Na entrevista, a executiva fala sobre a estratégia da Coris para a Black Friday, o avanço do GEO para inteligência artificial, a relação com creators e afiliados e como trabalhar criatividade sem comprometer a confiança necessária em produtos relacionados à saúde e à segurança.
1. A Black Friday 2026 parece marcar uma mudança de comportamento do consumidor. Na sua visão, quais marcas vão sair na frente: as que competem por preço ou as que conseguem gerar valor e relevância antes mesmo da promoção?
Taís Mahalem: Eu acredito que as marcas que saem na frente são as que começam a Black Friday bem antes da Black Friday. É claro, é uma guerra de preço e o consumidor espera uma grande oportunidade para comprar algo com o valor que vale realmente a pena.
Diante de tantas marcas e serviços, quando a gente fala de seguro-viagem, a tradição, a responsabilidade e a segurança fazem muita diferença. Então, a Coris faz um trabalho de conteúdo para um produto que não é sexy, porque ele é um produto para investir hoje e que talvez nem seja utilizado, mas se precisar usar, existe a certeza que ele vai funcionar.
Então, o trabalho nosso começa, sim, com essa relevância, mostrando para o cliente ao longo dos anos todos e dos canais a importância do seguro-viagem, o que tem cobertura, o que não tem cobertura, e claro, fazendo um programa pré-Black Friday que estimule ele a contratar o seguro na mesma hora em que compra a viagem. Muitos clientes esquecem do seguro, compram a viagem muito antes e pegam promoções diversas, e na hora da viagem, a pessoa já esqueceu.
Nosso trabalho então é muito forte em trazer a relevância e a oportunidade de já fechar o seguro junto com a viagem.
2. Em um cenário em que inteligência artificial, creators e retail media ganharam ainda mais espaço, qual você acredita que será o maior diferencial competitivo das campanhas de Black Friday em 2026?
Taís Mahalem: A Coris vem trabalhando muito na parte de G.E.O., que é o S.E.O. para a Inteligência Artificial, então, hoje a gente já é referenciado pela IA, já conseguimos enxergar compras vindas através de links gerados pelas conversas e contextos na Inteligência Artificial, como o chat GPT, por exemplo.
A gente trabalha muito forte com influenciadores e muito forte com afiliados também, então é uma oportunidade que eles também aproveitam para chamar a atenção de quem os acompanha.
O seguro-viagem, diferente de bens de consumo, é algo que a gente cria ao longo de seis meses, um ano. Então quem acompanha esses influenciadores, que são nossos parceiros, sabe da importância, às vezes gosta daquele conteúdo, mas não têm uma viagem marcada e, consequentemente, não compra o seguro. Ele é um produto situacional. E na oportunidade da Black Friday, eles vêm forte trazendo uma condição diferenciada. Mas eles trazem o quê? Eles trazem a segurança de quem consome, entende, acompanha, valoriza.
Para a gente, isso é muito importante, porque comprar de influenciador, de creators, é confiança. E o seguro precisa ter algo a mais, ele não é algo que a gente olha e diz “que interessante”.
3. Como líder, qual é o principal desafio para inspirar equipes a criar campanhas que entreguem resultado de negócio sem abrir mão da criatividade e da construção de marca durante a Black Friday?
Taís Mahalem: Olhando para os nossos times, eu entendo que a autoridade do produto é algo que a gente constroi o tempo todo. Isso não é uma coisa que a gente faz para Black Friday especialmente, mas usamos a mesma criatividade sempre, porque um produto financeiro e um produto de saúde envolve segurança e reputação, inclusive para as agências de viagem que também nos vendem.
É importante que essa construção seja feita sempre com antecedência, mas a criatividade está dentro de como a gente vai oferecer, de como a gente constroi ao longo das semanas e faz algo diferenciado.
Mas a gente não pode brincar e tirar a confiança de produtos que são sérios, que eu digo que é tanto o seguro em si como a saúde. Saúde vale. Então a gente tem ali uma margem para conseguir trabalhar, porque o seguro-viagem é um produto que traz sinistralidade, os custos de saúde fora do Brasil são altíssimos. Nós acabamos brincando muito com o tema da Black Friday, como a cada semana aquela promoção pode evoluir ou somar com alguma condição diferenciada, com benefícios como sala VIP, chip grátis, coisas que a gente já trabalha e a gente empacota de uma forma diferente. A gente usa muito mais a criatividade, uma evolução ao longo do mês, com bom planejamento, do que de fato descontos exorbitantes, o que não condiz com a seriedade do produto.
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