Brasileiro valoriza energia renovável, mas adoção prática ainda é baixa
Estudo “ESG Trends 2025” mostra hiato de 50 pontos entre importância percebida e ações reais; custo, acesso e falta de informação ainda travam avanço
10.11.2025

O estudo “ESG Trends 2025”, conduzido no Brasil pela Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado, revela uma contradição central dos hábitos sustentáveis no país: 76% dos brasileiros dizem valorizar o uso de energia renovável, mas apenas 26% efetivamente adotam essa prática. O hiato de 50 pontos percentuais é o maior entre os 24 comportamentos avaliados pela pesquisa, realizada em 13 países.
Segundo Silvio Pires de Paula, fundador e presidente da Demanda, a lacuna combina fatores estruturais e informacionais. “O acesso limitado a fornecedores de energia limpa, o custo percebido como mais alto e a falta de informação sobre alternativas viáveis travam a adoção. Enquanto isso, ações simples, como evitar desperdício de alimentos e reduzir o consumo de energia, já estão incorporadas ao cotidiano”, afirma.
De Paula lembra que o Brasil tem condições de avançar rapidamente. “A matriz energética brasileira é majoritariamente limpa. Com a expansão da energia solar e a migração para o mercado livre, o consumidor pode ter mais opções. O desafio não é apenas tecnológico — é cultural e informativo.”
Uma mudança regulatória recente deve acelerar esse processo. A nova resolução CGIEE nº 4, aprovada no mês passado, tornará obrigatória a etiquetagem de eficiência energética em edificações: a partir de 2027, para prédios públicos; e, a partir de 2030, para privados. “Essa medida tende a estimular escolhas mais sustentáveis por consumidores e incorporadoras”, avalia Adriana Hansen, diretora de Sustentabilidade do CTE.
Hábitos sustentáveis que “cabem no bolso” lideram ranking
O levantamento mostra que os comportamentos mais praticados pelos brasileiros têm relação direta com economia doméstica. Entre os mais citados aparecem:
evitar o desperdício de alimentos (87%);
reduzir o consumo de energia (80%);
comprar apenas o necessário (67%).
“O brasileiro entende a importância de mudar hábitos para reduzir impactos ambientais, mas isso se torna mais concreto quando há reflexo imediato no bolso”, diz De Paula.
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