Cerca de 32% dos internautas no Brasil já usam inteligência artificial
Pesquisa TIC Domicílios 2025 mostra que cerca de 50 milhões de brasileiros usam IA; especialistas alertam para os impactos da "IA invisível" na tomada de decisões corporativas
06.08.2026

A pesquisa TIC Domicílios 2025, realizada pelo Cetic.br, revela que 32% dos usuários de internet no Brasil utilizam inteligência artificial. O percentual equivale a aproximadamente 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, sendo que 84% desse grupo utiliza a tecnologia para fins pessoais.
Além do uso direto via chatbots, o estudo e especialistas destacam a atuação da chamada "IA invisível" — algoritmos que operam como infraestrutura oculta em e-commerces, bancos, seguradoras e plataformas de mobilidade. Esses sistemas cruzam dados como localização, horário, histórico de busca e perfis correlatos para personalizar experiências e priorizar informações em tempo real.
"A tecnologia que mais molda a nossa rotina nem sempre é aquela que responde a uma pergunta na tela. Muitas vezes, ela já entrou em ação antes do primeiro clique, organizando dados, reconhecendo padrões e definindo o que será filtrado e submetido a uma nova análise", explica Wesley Araújo, especialista da Blueshift.
Processos Corporativos, Governança e Riscos
No ambiente empresarial, a IA preditiva atua na análise de risco, prevenção a fraudes, gestão de estoques e concessão de crédito. Embora acelere rotinas, a automação levanta discussões sobre governança e a necessidade de supervisão humana:
Sistemas de Apoio à Decisão: Na maioria das operações críticas, o software não toma a decisão isolado, mas define os parâmetros e os dados que serão submetidos à análise dos executivos;
Diretrizes Globais: Relatórios como o Stanford AI Index 2025 e o NIST AI Risk Management Framework reforçam que a adoção corporativa de IA exige auditorias contínuas para evitar a replicação de vieses e erros em escala;
Explicabilidade e Monitoramento: “Quanto mais a tecnologia participa de escolhas críticas, maior precisa ser a nossa capacidade de explicar o caminho que ela fez. Não basta ser rápido ou eficiente; o processo precisa ser monitorado e sujeito à revisão humana. Sem governança, a mesma inovação que acelera os negócios pode replicar erros, perpetuar vieses e produzir decisões que ninguém consegue justificar”, conclui Araújo.
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